Friday, March 02, 2007

QUE PODEM FAZER OS AVÓS DE HOJE?



Ao falar dos avós, há que distinguir entre os avós mais velhos e os avós jovens. Estas são as pessoas que começam a ter netos sem idade para ser avós ou avos. Aqueles são os que passam dos 70 anos (ainda que a idade não diga tudo).
Por isso, quando afirmamos que os avós têm, hoje, um importantíssimo papel a desempenhar, a quem nos referimos? Aos jovens ou aos mais velhos?
Entendemos que a todos, mas os papeis são diferentes, porque suas circunstâncias são diferentes.
Disse Deutsch:
As empresas japonesas vêem com desagrado que na América o termo "velho" não seja sinónimo de "sábio".
A isto mesmo se referiu João Paulo II quando afirmou que "há culturas que manifestam uma singular veneração e um grande amor pelo ancião; longe de ser distanciado da família ou de ser suportado como um peso inútil, o ancião permanece inserido na vida familiar, continua tomando parte activa e responsável - ainda devendo respeitar a autonomia da nova família - e sobretudo desenvolve a preciosa missão de ser testemunha do passado e inspirador de sabedoria para os jovens e para o futuro".
Uma pequena observação: o Papa fala de anciãos, não de velhos.
O ANCIÃO, NO APOCALIPSE, É UM HOMEM CHEIO DE FORÇA
Nesta terra, melhor é homem de forças esgotadas, mas com juventude acumulada em sua experiência e em seu coração, se soube aproveitar o tempo para crescer como pessoa.
Nesta terra,"ser ancião implica haver vivido uma prolongada existência, encontrar-se ao final de uma longa viagem, talvez bastante cansado. A ansiedade é também tempo de despedidas; as coisas e os afãs vão lhe deixando".
O ancião é o vazio e o inútil para uma civilização saturada de materialismo helenista. Por isso, quando se escreve perto deles há que dizer, com força, que "não é verdade que os anciãos sejam inúteis ou constituam uma carga difícil de suportar (...) Nos deram muito, quando se encontravam em plena força; nos dão agora, no acaso de sua vida, com sua presença venerável, com seu sofrimento silencioso, com sua palavra acolhedora.
"Privar à humanidade dos anciãos, seria tão bárbaro como privá-la das crianças".
Mas esta sociedade bem estável e permissiva está disposta a privar-se de uns e de outros.
O ancião é testemunha do passado. Portanto, de um valor incalculável para recuperar, em cada família, heranças espirituais perdidas. As heranças das melhores biografias de outras gerações dessa mesma família.
É assombroso ver o pouco interesse que há, em muitos lugares, por saber algo mais dos melhores antepassados. Os avós mais velhos poderiam dar-nos alguma notícia deles, isto é, de seus avós. E assim, além disso, eles seriam menos protagonistas e mais testemunhas.
Na realidade, "a vida dos anciãos ajuda a esclarecer a escala de valores humanos; faz ver a continuidade das gerações e de maneira maravilhosa a interdependência do Povo de Deus. Os anciãos têm além disso, o carisma de romper as barreiras entre as gerações antes que se consolidem".
Desde a orientação familiar, se lhes pode ajudar aos avós mais velhos "a descobrir e a valorizar as incumbências dos anciãos na comunidade civil e eclesial, e em particular na família", citando palavras de João Paulo II.
Por outro lado, são inspiradores da sabedoria para os jovens e para o futuro. Isso ocorre, realmente, quando forem capazes de superar as diferentes crises, que se dão, na vida humana, entre fase e fase, e alcançarem a fase vital do homem sábio, daquele que sabe que tem, superada a crise do desprendimento. E além disso, não foram marginalizados da vida familiar de seus descendentes.
Desde a orientação familiar, se pode fazer muito, a este respeito, com os avós mais velhos, com seus filhos, com suas noras e genros, com seus netos, para que eles possam unir dois tempos - às vezes, bem longe -: o passado e o futuro, no presente de sua família extensa.
E os avós jovens?
Com respeito a isso, podemos dizer que estamos treinando uma nova geração de avós:
OS AVÓS DO SÉCULO XXI
Para então serão avós mais velhos. Hoje, são todavia:
- ATIVOS
- TRABALHADORES
- JOVENS DE ESPÍRITO
- COM MAIS TEMPO LIVRE, TALVEZ
- COM GRANDE EXPERIÊNCIA
- COM ILUSÃO
- CAPAZES DE SEGUIR APRENDENDO
Capazes de aprender a ser avós. E considerando esta aprendizagem com uma nova ilusão, como um voltar a começar para seguir a abertura, em uma sociedade que todos necessitamos.
Ocorre, com certa frequência, que as famílias fundadas por seus filhos são diferentes à sua:
- trabalham os dois fora de casa;
- não têm pessoas que os ajudem;
- costumam andar sem tempo.
Mas também têm filhos – às vezes muitos filhos – e têm o direito e dever de educá-los. É verdade que devem viver sua própria vida familiar, sem interferências, sem intromissões, mas também é certo que vivem em uma sociedade que deveria ajudar-lhes. E os avós formam parte dessa sociedade.
Tudo o que chegaram a ser estes avós jovens podem canalizá-lo em benefício de outros: de sua própria família, da sociedade na qual vivem.
Às vezes, se ocuparão directamente de seus netos, nem tanto para uma acção educativa como para uma acção cultural, certo que são os primeiros responsáveis na função familiar de:

CONSERVAR E TRANSMITIR VALORES DO ESPÍRITO
Com frequência, continuarão ocupando-se de seus filhos, porque continuam sendo seus filhos, ainda que estejam já casados, ainda que sejam pais, porque a responsabilidade paterna ou materna não desaparece enquanto os filhos vivam nesta terra.
Desde a orientação familiar, os avós podem ajudar - jovens ou velhos - a ver o muito que podem fazer e o pouco que não devem fazer.
Podem ajudá-los a ver que um de seus objectivos consiste, sem dúvida, em:
-ampliar a visão familiar das gerações.
Se lhes ajudará a descobrir que:
- Ser avô jovem é começar a aprender a dar como avô, harmonizando o material e o imaterial desse dar;
- Ser avô jovem é também começar a aprender a receber como avô. Será, sobretudo, um receber imaterial, mais ou menos esperado, para dar mais.
Por tudo isso, é uma lástima que muitos avós jovens não busquem orientação ou acessoramento para começar a sê-lo.
E é uma pena que muitas culturas, "especialmente como consequência de um desordenado desenvolvimento industrial e urbanístico, tenham levado e continuam levando aos anciãos a formas inaceitáveis de marginalização, que são fonte às vezes de fortes sofrimentos para eles mesmos e de empobrecimento espiritual para tantas famílias".
OS AVÓS JOVENS DEVEM APRENDER A SER AVÓS DO SÉCULO XXI

Oliveros F. Otero & Fernando Corominas -

Monday, February 26, 2007

Abrangência Lusófona

A língua portuguesa é a herança nobre de cinco séculos de história, que juntou Portugal a : Angola, Brasil, Cabo -Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São -Tomé e Príncipe e Timor. Todos agrupados numa Comunidade denominada países de língua oficial portuguesa, com o objectivo comum de se tirar melhores dividendos desta riqueza partilhada, em condições de soberania plena dos países que dela fazem parte.

A projecção da lusofonia implica porém, a gestão dos estigmas do passado, convergindo esforços numa participação equitativa e de respeito comum, sempre na busca de melhor enquadramento desta ferramenta de comunicação que é usada num espaço de mais de 220 milhões de pessoas.

A lusofonia, sendo património linguístico comum de oito países membros duma Comunidade com povos e culturas diferentes, terá que saber aceitar os desempenhos característicos da língua, nomeadamente no que à pronúncia diz respeito, evitando choques de assimilação característicos da zona de origem populacional a que se refere a pronúncia. Pois a língua, como instrumento de comunicação só o é, se for adoptada e desenvolvida cientificamente por uma Comunidade. E a pronúncia, não é mais do que uma característica duma determinada comunidade.

Se a língua portuguesa realmente nos dá esta oportunidade de estarmos inseridos dentro deste espaço denominado CPLP, é a ela que primeiramente se deve dar uma atenção especial, desenvolvendo por exemplo, programas que visem a radicação do analfabetismo na Comunidade.

Infelizmente, os interesses sobrepõem-se às necessidades e a lusofonia parece cada vez mais um espaço de negócios e menos de cultura. Cada vez mais materializada, cada vez com menos expressão histórico - cultural e alcance além fronteiras.

Fernando Casimiro (Didinho) em http://www.didinho.org/

A Sociologia


A Sociologia é um ramo da ciência que estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam o indivíduo em associações, grupos e instituições. Enquanto o indivíduo isolado é estudado pela Psicologia, a Sociologia estuda os fenômenos que ocorrem quando vários indivíduos se encontram em grupos de tamanhos diversos, e interagem no interior desses grupos.
A Sociologia não é matéria de interesse apenas de sociólogos. Cobrindo todas as áreas do convívio humano - desde as relações na família até a organização das grandes empresas, desde o papel da política na sociedade até o comportamento religioso -, a Sociologia interessa de modo acentuado a administradores, políticos, empresários, juristas, professores em geral, publicitários, jornalistas, planejadores, sacerdotes, mas, também, ao homem comum. A Sociologia não explica nem pretende explicar tudo o que ocorre na sociedade nem todo o comportamento humano. Muitos acontecimentos humanos escapam aos seus critérios. Ela toca, porém, em todos os domínios da existência humana em sociedade. Por esta razão, a abordagem sociológica, através dos seus conceitos, teorias e métodos, pode constituir para as pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações com que se defrontam na vida cotidiana, das suas múltiplas relações sociais e, conseqüentemente, de si mesmas como seres inevitavelmente sociais.
A Sociologia se ocupa com as observações do que é repetitivo nas relações sociais para daí formular generalizações teóricas.A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XIX, na forma de uma resposta acadêmica para um desafio de modernidade: se o mundo está ficando menor e mais integrado, a experiência de pessoas do mundo é crescentemente atomizada e dispersada. Sociólogos não só esperavam entender o que unia os grupos sociais, mas também desenvolver um "antídoto" para a desintegração social.

Hoje os sociólogos pesquisam macroestruturas inerentes à organização da sociedade, como raça ou etnicidade, classe e gênero, além de instituições como a família; processos sociais que representam divergência, ou desarranjos, nestas estruturas, inclusive crime e divórcio. E pesquisam os microprocessos como relações interpessoais.

Sociólogos confiam frequentemente em métodos quantitativos de pesquisa social (como a estatística) para descrever padrões generalizados nas relações sociais, e para desenvolver modelos que possam ajudar a predizer mudanças sociais e como as pessoas responderão a essas mudanças. Mas para algumas áreas da Sociologia (e para alguns sociólogos) acredita-se que métodos qualitativos — como entrevistas dirigidas, discussões em grupo e métodos etnográficos — permitam um melhor entendimento dos processos sociais.

Uma abordagem sociológica que concilie as duas perspectivas tende a ser mais apropriada pelo fato de que ambos os métodos são complementares, do que se conclui que cada método pode complementar os resultados do outro. Por exemplo, os métodos quantitativos podem descrever os padrões grandes ou gerais, enquanto as aproximações qualitativas podem ajudar entender como os indivíduos entendem ou respondem a essas mudanças.

In wikipedia.org
Sabia que também você pode colaborar na construção da wikipédia? Participe e contribua, para a construção da grande Enciclopédia On-Line!

Eterna Saudade!



Joaquim Pires Simões
PSarg. OPRADET/OPCART

da Força Aérea Portuguesa
02-04-1936 / 26-02-1999




Pai, obrigado!
Pelo homem que de mim fizeste,
E o tempo que me dedicaste,
Pelo amor que me deste,
E os ensinamentos, p’ra vida.
Não foram em vão,
Ainda hoje, me guiam,
Me servem de orientação!
Meu pai, amigo e companheiro,
Sempre presente a ajudar-me
Foste o meu ídolo, e herói
Sobretudo um grande pai.
Com saudade te relembro,
A nostalgia me faz sofrer,
Na alma a ferida que ainda dói,
A dor de te perder,
O melhor pai do mundo,
Pai obrigado!



Dedico este poema ao meu querido pai,

faz hoje oito anos que nos deixaste.

A Saudade, e a lembrança

Está sempre presente no meu coração!

Tuesday, February 20, 2007

Dinamização e divulgação do Voz do Povo

Meus amigos, leitores e participantes não se esqueçam das votações em que a " Voz do Povo " participa, é muito importante para a divulgação do nosso blogue. Se acharem que o voto é merecido, não se esqueçam de votar. Estamos inscritos no Blogstars desde 17 de Fevereiro 2007 e levamos mais de 400 pontos, na página mãe. Vote também aqui nos Textos " A Voz do POvo" É só clicar no selo que está aqui no post e abre o site onde poderá votar!
O mesmo selo e outros encontra-os na lateral esquerda do blogue, na área de links!






Obrigado a todos que têm colaborado para que este blogue sejá já uma forte presença na blogosfera.

Um grande abraço

OS PACOTES DAS RELAÇÕES ENTRE A CHINA E ÁFRICA


Por: Fernando Casimiro (Didinho)
didinho@sapo.pt
20.02.2007

África é um continente e a China um extenso país, o mais populoso do mundo.
A China é um império, povoou regiões do continente asiático, levou os seus usos e costumes a outras terras e povos do mundo.
A China define-se como uma República Popular, dirigida por um Partido comunista. De popular talvez o facto de ser o mais populoso do mundo. De orientações comunistas talvez pelo facto do Partido que dirige o país ainda continuar a chamar-se Partido Comunista Chinês.
A China que se conhece não é a China onde os chineses têm liberdades, direitos e garantias como cidadãos com direitos e deveres num Estado de Direito.
A China que se vê emergir não é uma China com estruturas económicas e de desenvolvimento do tipo-padrão que caracterizam as economias e sociedades comunistas, mas sim as economias e sociedades capitalistas.
A China tem jogado uma estratégia entre a sustentação das ideologias comunistas para fugir à responsabilização dos critérios da abertura à democratização mas, em simultâneo, tem acelerado as suas reformas económicas seguindo precisamente orientações antagónicas à ideologia comunista e assentes na definição prática dos conceitos macroeconómicos da ideologias capitalistas.
A necessidade de se modernizar para melhor se expandir, fez com que a China projectasse uma política externa digna do termo, tendo como base a sustentabilidade dos seus negócios e a rentabilidade do capital nos pacotes das várias estratégias definidas consoante a zona de interesse e de intervenção.
A China definiu a sua estratégia de crescimento e de desenvolvimento, tendo como propósito disputar com as principais potências mundiais a garantia das reservas das principais matérias primas energéticas que sustentam o desenvolvimento industrial a nível mundial. É esta garantia e controlo de reservas de matérias primas energéticas que fazem a diferença e farão cada vez mais, na determinação e sustentação das superpotências.
Um espaço privilegiado e com variadíssimas reservas de produtos minerais energéticos é precisamente o continente africano.
Privilegiado por não ser concorrente na busca de garantias de um futuro melhor para os africanos e por assim dizer, não definir políticas de desenvolvimento com aproveitamento próprio dos seus recursos minerais energéticos, como também, por deixar que se explorem as suas riquezas a troco de contrapartidas financeiras que nunca vão de encontro aos valores dos produtos e muito menos da salvaguarda e benefício de interesses dos povos e países africanos, mas sim dos seus governantes.
A China estudou o percurso europeu em África tanto da época da colonização, como das revoluções e do período de estabelecimento de afinidades numa nova relação das antigas potências coloniais com os novos países africanos.
A China sabe que muito do sucesso do desenvolvimento da Europa teve como base de sustentação o continente africano não só pelos seus recursos naturais, mas também pelos seus recursos humanos.
A China sabe igualmente que a Europa pouco investiu na valorização do continente africano, particularmente nos seus recursos humanos, atitude esta no sentido de se criar uma dependência crónica entre a Europa e a África no que ao domínio tecnológico e ao controle do dirigismo das iniciativas de desenvolvimento diz respeito.
A China sabe o que os europeus deixaram em África, mas também o que levaram e têm levado de África.
A China sabe o que os europeus têm dado hoje em dia a África mas sabe, acima de tudo, o que os governantes africanos preferem receber mas que o critério dos programas de cooperação dos países europeus nem sempre aprova.
De estudo em estudo, a China criou e definiu pacotes na sua missão de parceria estratégica com a África, não para ajudar o continente africano a desenvolver-se, mas sim, tal como na época da colonização europeia, também ela, a China, aproveitar-se das riquezas de África para sustentar as necessidades enormes da sua rede de desenvolvimento, cujas reservas dependem essencialmente de matérias primas energéticas que a China necessita em grandes quantidades.
Se outrora os africanos foram enganados pelas artimanhas dos primeiros colonizadores europeus, hoje, a táctica da China consiste em financiar projectos nem sempre propostos pelos governantes africanos, mas incluídos em pacotes de oferta apresentados pela China, numa reposição clara da estratégia colonial.
Sabe-se que a China faz deslocar todos os meios para concretizar/executar os projectos anunciados, desde simples pregos até mão de obra.
Sabe-se que a China consegue desta forma exportar os seus produtos sem ter concorrência ou restrição e rentabilizar todo o investimento porquanto o dinheiro aplicado ser uma estratégia de engenharia financeira com contrapartidas superiores ao investimento e, sobretudo, com retorno total à proveniência: China!
A China estudou igualmente a questão das relações internacionais e tem-se aproveitado da ambiguidade de posicionamentos e conveniências quer dos europeus, quer dos americanos para, na sombra, tirar proveito da sustentação da sua política de indiferença quanto aos direitos humanos e, assim, fugir à linha da não indiferença pela ingerência nos assuntos internos, como forma de salvaguardar uma relação de promiscuidade com os regimes ditatoriais africanos e em defesa dos seus interesses, ou não fosse a China exemplo reconhecido de atropelos aos direitos humanos!
No entanto, esta forma de agir da China não é estranha ao mundo dito desenvolvido, que cada vez mais se insurge contra as investidas da China no continente africano.
Esta atitude quer da Europa quer dos Estados Unidos de denunciar a pretensa hipoteca das reservas minerais energéticas de África pela China, da forma como tem sido feita, só surge devido ao sucesso da política externa chinesa, concretamente dos pacotes para África e que têm surtido efeito na implantação estrutural da China no continente negro.
Se as movimentações chinesas estão a conseguir viciar os conceitos de cooperação entre nações e povos, muito disso resulta por culpa das estratégias erradas de relacionamento com África e com os africanos, tanto por parte da Europa, como dos Estados Unidos.
Uma estratégia sempre baseada em contrapartidas materiais imediatas, sem considerandos práticos no assumir de princípios e na defesa de valores universais que moralizem as boas práticas que tanto a Europa, quer os Estados Unidos defendem para si.
As políticas de cooperação traçadas e seguidas pelos governantes africanos são na sua maioria sustentadas por conveniências de planos normalmente elaborados pelos parceiros económicos europeus e americanos. Políticas nem sempre baseadas na transparência e de que hoje se faz uso e abuso em África para dar à China a oportunidade que a Europa e os Estados Unidos, em boa verdade menosprezaram no sentido de fazerem mais e melhor pelo desenvolvimento do continente africano.
Mas se os europeus e americanos não fizeram mais e melhor até aqui, muito menos os chineses conseguirão fazer, sendo que é mais fácil a revisão dos erros estratégicos por parte dos europeus e americanos no sentido de uma nova aposta de desenvolvimento sustentado, baseado em fórmulas de reciprocidade de vantagens igualmente sustentadas, com os países africanos no sentido de um novo marcar de pontos na estratégia de relacionamento com África, do que permitir a expansão chinesa no continente.
Os africanos deverão ter em conta que não há desenvolvimento sustentável sem haver liberdade e as memórias da colonização estarão sempre presentes para clarificar as dúvidas neste sentido.
Quem tiver boas intenções para África, deverá ter boas intenções para os africanos e não olhar simplesmente para as riquezas naturais do continente negro e muito menos sustentar e apoiar ditaduras em África, fechando os olhos às matanças, à fome, às doenças, numa palavra; às desgraças de África e dos africanos vítimas dos seus governantes apoiados pelos interesses das potencias mundiais!
Gostaria de ver África afirmar-se, criando estruturas de desenvolvimento próprio e no terreno, de forma a evitar a dependência. Claro que seria sempre uma estratégia com recurso a parcerias, mas de forma a permitir que África tenha tudo de bom que outros continentes têm!

Thursday, February 15, 2007

QUE POVO É ESTE?

Recebi por e-mail este texto de opinião que achei oportuno divulgar, dentro do âmbito de solidariedade com o povo Guineense.

A opinião de Djodji08.02.07

Olhando para a história política e criminal do meu país, Guiné-Bissau, não posso deixar de continuar a estranhar o comportamento ora heróico e ora passivo do meu povo!Este texto não pretende trazer nada de novo aos guineenses, mas apenas perguntar directamente aos guineenses – porquê? Porque permitimos que tudo aconteça na Guiné-Bissau, sem que o dono e senhor da terra, o povo, nada faça para mudar o rumo do seu destino?O meu povo saiu à rua para aplaudir os nossos libertadores do jugo colonial, vindos da então intitulada zonas libertadas. Esse mesmo povo saiu à rua para aplaudir um general de boca espumada, que nos viria libertar do domínio cabo-verdiano que se viveu logo após a independência e que ceifou a vida a muitos guineenses que haviam participado do outro lado da barricada na luta da libertação do jugo colonial português.Anestesiado com a valentia do General espumoso, o povo ficou imediatamente amnésico!!! Esquecemos que o próprio General era um dos principais representantes do regime contra qual havia acabado de revoltar-se e, portanto, era muito difícil e até impossível, que esse cínico herói que se apresentava como salvador da pátria não tivesse tido conhecimento das execuções de irmãos guineenses, que ele nomeou um a um, entre as bolhas de espuma no canto da boca.Como era possível, o seu imediato superior hierárquico, o Presidente da República, tivesse tido conhecimento desses actos bárbaros, como ele fez querer ao povo, sem que a informação tivesse passado pelas mãos dele, que coordenava os comissários? Mas, na altura, o povo guineense engoliu essa estória, aplaudiu e apoiou o “general-espumoso”, sem no entanto ter tido qualquer ganho (muito pelo contrário!!!), com a mudança de regime.O nosso “general-espumoso”, mal se apanhou no poder absoluto disse que não matou ninguém, nem era contra ninguém e, ainda, anunciou a “concórdia nacional”. Desses anúncios ao engordar as suas contas bancárias, coleccionar amantes e enriquecer alguns amigos, foi uma questão de menos de meia-dúzia de anos. Segundo consta, alguns desses amigos trocavam esse estatuto de privilegiado com cedências periódicas dos seus leitos matrimoniais ao “general-espumoso”, porque contrariar esse desejo do general podia significar desgraça pessoal com acusação no envolvimento de alguma trama contra o todo o poderoso e eventual morte. Alguns até terão dado o próprio apelido aos filhos do general espumoso.O povo assistiu impávido e sereno esses abusos do poder e os ditos “amigos” oportunistas, que terão chegado ao ponto de “alugarem” os seus leitos matrimoniais, não devem ter ouvido nunca pronunciar o nome de Ernesto Che Guevarra, que disse uma vez que “mais vale morrer de pé, que viver de joelhos”. Preferiram viver de joelhos, para hoje tentarem fazer a diferenciação de “gentes no sistema, com gentes do sistema”!!!Essa gentinha aceitou viver de joelhos, comendo as migalhas do general-espumoso”, enquanto o povo já se encontrava deitado e prostrado, comendo as migalhas desses oportunistas. Nessa altura, o general já havia deixado de ser espumoso e até contratara um professor de português para lhe dar aulas particulares e já partilhava os seus instintos hormonais com algumas “senhoras” da sociedade Bissau-guineense e até conhecia uns empresários portugueses que também lhe davam algumas aulas sobre o tratamento especial das finanças públicas.Também foi nessa altura que conheceu outros ditadores com os quais foi aprendendo as tácticas para a eternização no poder. Nessa luta para a manutenção no poder, eliminou e mandou eliminar fisicamente muitos dos guineenses que haviam apostado nele naquele fatídico dia de 14 de Novembro, data essa que hoje, até o próprio general-ditador tem vergonha de comemorar.Dos nomes dos assassinados no regime de Luís Cabral, o regime do general sanguinário conseguiu ultrapassar, de longe.A tudo isso, o meu povo assistiu sem reagir de forma convincente e com repulsa desses actos e seus actores, até que apareceu um Brigadeiro acusado de tráfico de armas, que viveu quase duas décadas à custa do regime, que resolveu salvar a sua própria pele e mobilizou muitos militares para a sua causa. O general pediu ajuda aos amigos ditadores, sem pedir consentimento ao povo, que ele julgava prostrado e sem reacção, mas esqueceu-se que estar prostrado não é o mesmo que estar caquético e agonizante.O povo acreditou mais uma vez numa mão salvadora e levantou-se e foi buscar forças onde já não havia, para correr com o ditador sanguinário. Só que o povo esqueceu-se das verdadeiras razões do brigadeiro e dos abutres intelectualóides que estavam por trás das estratégias do Brigadeiro. A “vassourada” não foi completa, nem eficaz!!! Aí que aparece de Bissorã, um intelectualóide que havia tentado concluir um curso de direito numa faculdade pública portuguesa e fracassou e tinha-se dedicado ao comércio, que era pouco para as suas aspirações megalómanas.Esse mesmo intelectualóide foi o mentor e principal responsável pela saída do general sanguinário para o exílio, sem qualquer responsabilização pelos seus actos no passado. O mesmo intelectualóide não tardou a ser nomeado como primeiro-ministro de transição. Da transição até os guineenses “enfiarem um barrete vermelho”, foi pouco tempo. E, o povo estava convicto que o intelectual louco e populista era a solução que a pátria mais ansiava. Mas, continuou a assistir impávido e sereno, acusações públicas de corrupção, prisões sem acusações oficiais, perseguições de órgãos de comunicação social, tentativa de etnização do poder, etc.Desesperado e bem acomodado no poder, o louco intelectual declarou ao próprio povo que lhe havia colocado no poder, como incapaz de escolher por escrutínio livre os seus próprios representantes no aparelho do Estado.Estranhamente, começaram a acontecer alguns encontros em Portugal, inclusive com almoços, entre o louco intelectual e o general-sanguinário. Pouco tempo antes, o governo português havia assumido desconhecer o paradeiro do general-sanguinário, que vivia as expensas do contribuinte português, tendo sido apenas admoestado, após o regresso à sua residência.Estranhamente, no período de tempo em que o general-sanguinário esteve ausente de Portugal e sem paradeiro certo, houve deslocações de alguns militares guineenses para tratamento e férias no Senegal e na Guiné-Conakri, entre os quais Tagmé na Waie. Não é que nesse período de tempo, houve desentendimento entre o Brigadeiro e o louco intelectual, que levou à perseguição e a morte em circunstâncias estranhas do primeiro.Após a morte do brigadeiro, não tardou a aparecer o General Veríssimo Correia Seabra que derrubou o regime eleito democraticamente e que agia de forma ditatorial. O mesmo General afirmara publicamente, que o general-sanguinário só regressaria à Guiné-Bissau de forma livre e impune, por cima do seu cadáver. É caso para dizer, foi ele quem pediu!!! Da sua morte, até a invasão do espaço aéreo guineense por um aparelho militar de outro Estado, também comandado por um professor do general sanguinário na arte da ditadura e do absolutismo, foi pouco tempo.Eis que o meu povo mergulhou outra vez na amnésia e aplaudiu a chegada de um mercenário, movido pela sede do poder e de vingança. O meu povo mais uma vez esqueceu todo o sofrimento impingido pelo general sanguinário e aplaudiu, aquele que foi, é e esperemos que não continue a ser por muito tempo, a razão da desgraça do Estado guineense.Dessa amnésia e desse apoio a um acto ilegal e de vandalismo, até sermos hoje presididos pelo maior criminoso da história da Guiné-Bissau, apenas foi preciso que aqueles “amigos” que no passado alugavam os seus leitos matrimoniais em nome de um estatuto trabalhassem um pouco mais…Desde o regresso do ditador sanguinário, temos um país “de pernas para o ar”, com uma Assembleia Nacional Popular que mal funciona e com deputados que mal conhecem a letra “A”, facilmente corrompidos, de costas viradas com o Presidente da mesma Assembleia e este, juntamente com o maior sindicato nacional, de costas voltadas com o governo e a Presidência.Governo esse, não escolhido pelo povo, através do sufrágio, arrogante e prepotente, defendido até à exaustão pelo ditador sanguinário, desde que execute ou tente executar na perfeição as vontades do todo-poderoso. Esse mesmo governo nega-se a dialogar com outros representantes do Estado, desde que estes não acartem as suas directrizes de forma silenciosa. Ainda assistimos à violação dos direitos mais básicos do homem e de um Estado de direito, como ameaças, intimidações, espancamentos e assassinatos de figuras públicas. Como é possível, o presidente do maior partido guineense ter medo de voltar a casa?Vão dizer-me que o medo é individual e que ninguém tem culpa dos medos dele.E, aí pergunto, se não é para se ter medo, quando um governo, de forma ilegal assina um mandado de captura e envia uma brigada de intervenção para a detenção de um político, munido de imunidade parlamentar? A verdade é que as investigações sobre a morte do Comodoro Lamine Sanhá e da agressão do Dr. Silvestre Alves interessam pouco ao governo e ao Ministério Público Guineense.Desde que aconteceram esses actos bárbaros e cobardes, ainda não foi conhecido qualquer suspeito e nem tão pouco foi convocado aquele que, ainda em vida, o Comodoro acusou de o perseguir e ameaçar. Para quando a audiência do General Tagmé na Waie, sobre a morte do Comodoro? O meu povo vai continuar a fechar os olhos e a divertir-se com o caso de disputa de bens roubados, entre Nino e Cadogo?O que me estranha é que o povo continua a assistir impávido e sereno e quiçá prostrado!!! Continuo a achar que nós guineenses somos responsáveis pelo actual estado da nossa pátria e pouco ou nada fazemos para a sua mudança.Cabral e muitos outros deram a vida, acreditando dar-nos uma vida melhor e nós, pouco ou nada estamos a fazer para melhorar o futuro daqueles que virão.

Sunday, February 11, 2007

FICOCABLES – PORTUGAL

Rumo ao futuro!

É pela afirmação e vinculação de políticas assertivas, como as da Qualidade, Ambiente, Segurança, Responsabilidade Social e uma postura filantrópica em relação às causas sociais, que as empresas se posicionam nos mercados contextualizando um novo conceito de gestão.
Gostaria de aqui salientar, que para além destas políticas assumidas e expressas na declaração de compromisso empresarial. As empresas, devem centrar-se também na qualidade de vida dentro de portas. A qualidade de vida dentro das empresas, é sobretudo um factor humano e não da organização. É pelas decisões e comportamentos dos gestores, que este aspecto poderá ser melhorado. Os ambientes profissionais, independentemente de se estar , numa empresa com bons resultados económicos e sustentáveis, e não paire a ameaça do desemprego, falham muitas vezes pela parte de quem gere. Aos gestores de hoje, cabe a enorme responsabilidade e o papel decisivo de para além de todas as performances categóricas de gestão, criarem condições para que todos os colaboradores possam usufruir de uma vida pessoal/familiar de qualidade. As acções de promoção da qualidade de vida de quem trabalha, partem do princípio de se reconhecerem as pessoas, e a adopção de uma visão humanista sobre todos os que na empresa trabalham e partilham o quotidiano da empresa.
A aposta nas pessoas, na sua formação, valorização, e a visão e conhecimento do factor humano inerente é cada vez mais, aposta dos gestores de sucesso.
Sendo a humanização das empresas um factor imprescindível, ao melhoramento do clima laboral, é também sem dúvida um tónico para a motivação e saúde mental e física dos trabalhadores. As pessoas por via da sujeição aos elevados ritmos de vida do quotidiano das empresas, são sujeitas a uma brutal carga psíquica e física com repercussões gravíssimas na sua qualidade de vida. Perdem também as empresas, com o aumento das faltas ao trabalho e com a diminuição da capacidade produtiva.
O reconhecimento do lugar central das pessoas dentro das empresas, a adopção de políticas humanistas e de proximidade entre os trabalhadores e quem gere, é de facto relevante e de primordial importância na vida das empresas e na qualidade de vida proporcionada aos seus colaboradores.
Na Ficocables, a aposta na valorização do trabalhador enquanto ser humano tem crescido no sentido de a pessoa ocupar um lugar central no projecto de empresa.


Estes propósitos, fazem parte da visão e valores assumidos pela empresa, o enfoque na pessoa tem sido relevante para as melhorias sentidas., e nas acções de melhoria contínua.
Muito ainda falta fazer, mas sentimos que o esforço de conciliação, é na verdade no sentido de proporcionar uma melhor qualidade de vida aos seus trabalhadores, e fazer da Ficocables uma empresa onde gostamos de trabalhar.

Por: Victor Simões – Ficocables Portugal

Monopoly o Jogo do Senhor Ministro Manuel Pinho




Sua excelência o sr. ministro da economia Manuel Pinho, parece que vê a economia como um jogo de “monopoly”. Tem uma visão muito lúdica da economia e muito pouca perspicácia para identificar o que vai mal neste país.
Começam a ser confrangedoras e embaraçantes as calinadas, que mete umas seguidas de outras. Valha-nos a sinceridade e a inocência que nos possibilita vislumbrar o seu perfil de político e de gestor, com todas as suas limitações em matéria de políticas económicas eficazes.
Vejamos o senhor ministro, Manuel Pinho, e respectiva equipa não encontram nada melhor para controlar o défice, que não recorrer ao aumento dos impostos e fazer política de baixos salários, para que a economia portuguesa continue competitiva.
Tenho pena senhor ministro, que os seus ex-alunos, tenham aprendido o que lhes ensinou, pois o défice não se combate dessa forma. Este actual processo de redução do défice público, não é mais que um tapa olhos. Na verdade esta solução é o contrário do que se deveria colocar em prática, daqui a três anos estamos na mesma. Os portugueses, com um nível de vida pior, o país mais na cauda da Europa se não no último posto vigésimo quinto.
O problema é que se trabalha para as próximas eleições, e os portugueses continuarão iludidos na esperança de melhores dias que nunca chegarão.
Atentemos nas palavras do ministro, proferidas em Pequim, aquando da visita à China e afirmando que uma boa razão para investirem em Portugal, são os baixos salários aqui praticados, que estão abaixo da média Europeia. Veja-se também a reacção de Sócrates, ao querer defender o seu correligionário, “ O sr, ministro disse a verdade “.
Se são estes os políticos que nos governam, vejam bem o que querem para os portugueses, que continuem cada vez mais na miséria, até os salários acompanharem os da China, depois poderemos concorrer com Chineses pelo certo.
Mas o jogo ao monopoly da economia portuguesa, continuou, na viagem de regresso.
Diria que hilariante foi a cena, de Manuel Pinho apagar o cigarro e colocar a cinza junto de papeis, a que a hospedeira atrapalhadíssima se apressou a ir apagar. ( Querem que os portugueses não fumem em recintos fechados e as normas de segurança, são para quem cumprir?). Mas estava eu contar do jogo do monopoly, e o ministro explica desenhando a táctica num folha de bloco de notas… “ são três estrelas na indústria da madeira”. “ E mais quatro no turismo, outras tantas na petroquímica ( será por isso que penalizam a produção de Biocombustíveis, cortando o apoio fiscal, em contracorrente com todo o mundo civilizado. Sinceramente eu já duvidava da bondade deste Governo em matéria ambiental, agora nada me fará acreditar.). E quero mais duas estrelinhas aqui, estou à procura de dois investimentos para a piscicultura”.
Nas multinacionais estamos bem, assegura, escrevendo “ sector automóvel ” no vértice do triângulo. “A Autoeuropa é do caraças!”
Caros leitores, este senhor é de outro planeta e vive dentro do jogo do monopoly, já esqueceu a injecção de capital à Autoeuropa, já esqueceu que quando não houver mais para sugar aos portugueses, estas empresas vão explorar outros povos.
Que desilusão, por ver o meu país a afundar, como um navio desgovernado e sem capitão.

Saturday, January 20, 2007

O latão dos boys das empresas públicas!!

No Correio da manhã de 19-01-2007, vinha a seguinte notícia resultante da auditoria do Tribunal de contas, aqui passada parcialmente... poderão ver a totalidade em: correiomanha.pt
"Os gestores públicos continuam a receber muito acima da remuneração base definida e actualizada através de várias resoluções do Conselho de Ministros. De acordo com uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas a quatro grandes empresas públicas (Águas de Portugal – AdP, Caixa Geral de Depósitos – CGD, CTT e ANA – Aeroportos de Portugal), as remunerações dos presidentes dos Conselhos de Administração e respectivos vogais estão mais de 200 por cento acima das fixadas na resolução do Conselho de Ministros."

SALÁRIO AUFERIDO PELOS GESTORES COMPARADO COM O DEFINIDO NA LEI
AdP (2003/2004/2005Presidente: 9.049,00 euros (Remuneração auferida) / 3.655,81 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 5.393,19 euros (Diferença em excesso) / 148%
/ 8.775,00 euros (Auferida 2001)Vogais: 8.445,00 euros (Remuneração auferida) / 3.233,98 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 5.211,02 euros (Diferença em excesso) / 161% / 8.199,00 euros (Auferida 2001)

CGD (2003/2004/2005)Presidente: 24.939,89 euros (Remuneração auferida) / 4.752,55 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 20.187,34 euros (Diferença em excesso) / 425% / 24.939,89 euros (Auferida 2001)Vice-Presidente: 21.198,91 euros (Remuneração auferida) / 4.496,65 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 16.702,26 euros (Diferença em excesso) / 371% / 21.198,91 euros (Auferida 2001)Vogais: 17.457,93 euros (Remuneração auferida) / 4.204,18 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 13.253,75 euros (Diferença em excesso) / 315% / 17.457,93 euros (Auferida 2001)

CTT (2003/2004/até 31-05-2005)Presidente: 18.217,69 euros (Remuneração auferida) / 4.752,55 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 13.465,14 euros (Diferença em excesso) / 283% / 4.625,37 euros (Auferida 2001)Vogais: 4.204,17 euros (Remuneração auferida) / 4.204,17 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 0,00 euros (Diferença em excesso) / 0% / 4.091,67 euros (Auferida 2001)

ANA (2003/2004/até 29-04-2005)Presidente: 4.752,55 euros (Remuneração auferida) / 4.752,55 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 0,00 euros (Diferença em excesso) / 0% / 4.625,37 euros (Auferida 2001)Vice-Presidente: 4.496,65 euros (Remuneração auferida) / 4.496,65 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 0,00 euros (Diferença em excesso) / 0% / 4.376,45 euros (Auferida 2001)Vogais: 4.204,18 euros (Remuneração auferida) / 4.204,18 euros (Resolução do Conselho de Ministros 29/89) / 0,00 euros (Diferença em excesso) / 0% / 4.091,67 euros (Auferida 2001)

Vejam o porquê da segurança social estar como está e mais comprovem porque querem acabar com o Sistema Nacional de Saúde. Estes senhores, com os seguros de saúde que possuem, não precisam do SNS, para nada.
Já agora, já sabem onde foi operado o sr. ministro da defesa Dr. Luís Amado? Está no segredo dos Deuses...

CARLOS SANTOS FERREIRA (Presidente da CGD desde Agosto de 2005)
Empresa: Caixa Geral de Depósitos
Ordenado actual: 24.939 euros
Carro: 98.025 euros
Seguros (Saúde, Vida): 0 euros
Prémios de gestão: 0 euros
Planos de reforma: 30.988 euros
Telefone (fixo e móvel): 26.651 euros

VÍTOR MARTINS (Presidente da CGD de Setembro de 2004 a Agosto de 2005)
Empresa: Caixa Geral de Depósitos
Ordenado: 24.939 euros
Carro: 98.025 euros
Seguros (Saúde, Vida): 0 euros
Prémios de gestão: 137.169 euros
Planos de reforma: 40.210 euros
Telefone (fixo e móvel): 25.718 euros

GUILHERMINO RODRIGUES (Presidente da ANA desde Abril de 2005)
Empresa: Aeroportos de Portugal SA
Ordenado actual: 4.752 euros
Carro: 54.321 euros
Seguros (Saúde, Vida): 18.552 euros
Prémios de gestão: 14.257 euros
Planos de reforma: 6.653 euros
Telefone (fixo e móvel): 19.056 euros

CARLOS HORTA E COSTA (Presidente dos CTT de 2003 a Julho de 2005)
Empresa: CTT
Ordenado: 18.217 euros
Carro (renda anual): 26.660 euros
Seguros (Saúde, Vida): 21.685 euros
Prémios de gestão: 35.000 euros
Planos de reforma: 0 euros
Telefone (fixo e móvel): 23.741 euros

POÇAS MARTINS (Presidente da AdP de Junho de 2004 a Junho 2005)
Empresa: Águas de Portugal
Ordenado: 9.049 euros
Carro: 60.000 euros
Seguros (Saúde, Vida): 19.485 euros
Prémios de gestão: 36.196 euros
Planos de reforma: 9.759 euros
Telefone (fixo e móvel): 14.977 euros

LUÍS MACHADO (Presidente da AdP Entre 2002 e 2004)
Empresa: Águas de Portugal
Ordenado: 9.049 euros
Carro: 60.000 euros
Seguros (Saúde, Vida): 19.610 euros
Prémios de gestão: 0 euros
Planos de reforma: 19.002 euros
Telefone (fixo e móvel): 16.419 euros

E a fuga e evasão fiscal, qem dá o exemplo?
"Outra das situações que o Tribunal critica é a falta de controlo da riqueza dos titulares de cargos públicos. Segundo a lei, aqueles responsáveis são obrigados a entregar no Tribunal Constitucional, no prazo de 60 dias contados a partir da data de início do exercício de funções, uma declaração dos rendimentos bem como uma inventariação do seu património e cargos sociais exercidos, com indicação dos rendimentos brutos auferidos.Dos vários gestores que exerceram funções na AdP, CGD, CTT e ANA durante os anos de 2003 a 31 de Março de 2006, só 42 por cento tinham cumprido, na íntegra, a obrigação de declaração de riqueza junto do Tribunal Constitucional."

Wednesday, November 29, 2006

Problema real

Perante a minha situação e de muitos contribuintes, que estarão em situação igual à que eu expos num texto que saiu dia 20 de Outubro de 2006 na revista “notícias magazine”, com o titulo “Problema real”, venho dar a conhecer a resposta que recebi via email do portal do governo, para o qual enviei este mesmo texto.
Estou radiante e satisfeita com tal resposta esclarecedora, afinal que mais podemos nós esperar?


Ex.ª Sr.ª D. Conceição Bernardino
Na tentativa de responder ao solicitado na exposição de V. Ex.ª para o Portal do Governo em 15 de Outubro de 2006, relativamente à isenção do pagamento de taxas moderadoras, informamos que, de acordo com a legislação em vigor (DL n.º 173/2003, de 1 de Agosto), e como sabe, para que os desempregados tenham direito a esta isenção, terão que estar inscritos nos Centros de Emprego e, para tal, estar aptos e disponíveis para trabalhar, situação que, infelizmente não se verifica, pelo menos em termos de disponibilidade.
Compreendemos e estamos solidários com o exposto, pelo que vamos ter em conta o facto relatado, quando forem revistos os critérios para isenção do pagamento de taxas moderadoras.
Sugerimos ainda que, se não o tiver feito, recorra ao Serviço Social do Centro de Saúde onde está inscrita ou da Segurança Social da área da sua residência, no sentido de verificar a possibilidade de lhe proporcionarem algum tipo de ajuda.
Com os melhores cumprimentos,
Cristina Correia
(Assessora do Gabinete do Secretário de Estado da Saúde)

Este é o texto em questão:
Problema real
Queria expor ao ministro da saúde “Correia de Campos”, um problema real com que me deparei em pleno século XXI, que passo a citar.
Decerto não será um caso singular dos nossos dias, mas que muitas vezes deixa as pessoas sem opção de escolha.
Um filho que se disponha a tomar conta do seu próprio pai ou mãe, por motivos graves de saúde com dependência total de uma terceira pessoa,
que viva em casa dos mesmos e sendo abrangido pela maior idade, não tem qualquer hipótese de sobrevivência para socorrer quem lhes deu a vida.
Posso enumerar aqui alguns exemplos de doenças (AVC, Alzheimer) e tantas outras que deixam as pessoas incapacitadas das suas funções, intelectuais e físicas.
Sei que cada caso é único...estuda-se os rendimentos per capita, a existência de outros filhos com capacidade monetária, etc.
Mas na realidade o que quero expor é um relato real, um filho que deixa tudo, trabalho, estudos em prol da sua obrigação, coerente e sensato, para cuidar da sua mãe acamada é um pouco descriminado pelo estado, digo pouco para ser modesta.
As soluções são muito escassas, os recursos quase nenhuns e então sendo esse filho solteiro ainda pior.
Sabe tão bem quanto eu para se estar isento de taxas moderadoras é preciso provar com um documento, ou seja uma declaração passada pelo instituto de emprego para provar que não auferimos qualquer rendimento e que para isso temos que estar inscritos no mesmo. Mas as burocracias são de tal forma brutais que acabamos por ter que enfrentar a falta de informação dos serviços públicos assim como a instrução.
Os serviços públicos de saúde, assim como a direcção regional de saúde só aceita esse documento que pelos vistos está previsto na lei como comprovativo de isenção. O que é de louvar até porque existe muitas pessoas que trabalham sem fazer descontos o que impede que apresentemos uma declaração de rendimentos das finanças ou um extracto da segurança social dos nossos descontos. Pois muito bem, é pena que no centro de emprego não tenham essa informação e façam de nós”palhaços”.
Como é possível viver num país onde os próprios organismos desconhecem as leis?
Conclusão: Para se estar inscrito no centro de emprego é claro e com lógica, tem que se estar apto para trabalhar, se o filho está a olhar pela sua mãe então, neste caso não está apto para trabalhar. Como pode ele ficar isento dessas taxas se não aceitam outro tipo de documento nem pode estar inscrito no centro de emprego?
Se a miséria que a mãe recebe mal chega para as suas necessidades e que são muitas. Se o complemento por uma terceira pessoa não excede os 80 euros mensais?
Que soluções existem para estes filhos que ainda valorizam os seus progenitores, com muito amor e carinho e dignidade, vão continuar a pagar taxas moderadoras ou cirurgias e internamentos, porque o sistema não os reconhece como desempregados nem como nada?
Ou será que têm que se acomodar a viver sem assistência médica, por falta de incapacidade financeira?
Que ajuda ou solução existe para um filho nestas condições será legitimo,
que continuemos a baixar a cabeça, não, não é...


Conceição Bernardino

Tuesday, November 07, 2006

Ricos cada vez mais ricos e Pobres cada vez mais pobres!!!


Vidas destruídas

A água no Gana
‘As vezes, não como. Assim, meus netos podem beber água.’ Hawa

Hawa vive na capital Ganense, mas tem pouco acesso à água. E o preço da água continua a aumentar, porque o Banco Mundial e o FMI insistem na privatização da água em troca de ajuda de cooperação.

O preço foi aumentando para atrair o investimento privado. Porém, as empresas privadas não têm obrigação de investir nas áreas mais pobres.


O algodão no Quénia
‘Que tipo de eficiência deixa milhares de agricultores improdutivos, as famiílias passando fome e os pais sem condições de enviar as suas crianças para a escola?’ - Susie Ibutu

Susie Ibutu trabalha com agricultores pobres no Quénia. As reformas económicas impostas pelo FMI provocaram o colapso espetacular da indústria de algodão do Quénia. O governo eliminou as tarifas sobre as roupas importadas e cortou o apoio drásticamente.

Em 2000, o algodão valia menos de cinco por cento do seu valor nos anos 80.

Cebolas no Senegal
‘Quando voltamos do mercado, o coração fica despedaçado pela dor. O dinheiro que recebemos não compensa o nosso trabalho no duro.’ -Bolo Sy

Os meios de vida de Bolo Sy foram destruídos. Agricultora de cebolas no Senegal, ela não pode mais concorrer no mercado local com as cebolas importadas subsidiadas da Holanda.

As regras internacionais do comércio não permitem ao governo senegalês a opção de proteger o seu mercado e dar subsídios aos agricultores locais.

Arroz nas Honduras
‘Houve uma época em que tudo isso era arroz, até onde a vista alcança. E assim eu quero que seja novamente.’ - Maria Marcos Riveira


No começo dos anos 90, Honduras produzia 50.000 toneladas de arroz por ano. No ano 2000, diante da maciça concorrência das importações, o país produziu apenas pouco mais de 7.000 toneladas. A central de comercialização do governo mantinha um sistema de apoio de preços para os arrozeiros hondurenhos e também controlava as importações. Entretanto, este sistema foi reestruturado nos anos 90 como uma das condições para o acordo de ajuste estrutural com o Fundo Monetário Internacional e como o Banco Mundial. A consequência foi que nos últimos dez anos, o arroz hondurenho vem competindo com as importações de arroz altamente subsidiado dos Estados Unidos. Um a um, pequenos agricultores pobres, como Maria Marcos Riveira, largaram a produção de arroz e voltaram para a agricultura de subsistência.


O que é verdade para o algodão no Quénia, cebolas no Senegal, a água no Gana e o arroz nas Honduras, também é verdade para milho, café, leite, legumes e tantos outros produtos nas aldeias e comunidades nas regiões mais pobres do mundo.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) impõem reformas económicas arriscadas e não testadas, por meio de condições ligadas ao perdão da dívida e à ajuda de cooperação. Pressionam os países a cortar as despesas públicas, a abrir os seus mercados às importações e aos investimentos, cortar subsídios e privatizar empresas estatais e serviços públicos.

Muitos países pobres também precisam da aprovação do FMI para conseguir ajuda de outros países, o que permite uma enorme influência do FMI nos bastidores das negociações.
Os governos, particularmente os governos dos países ricos, devem impedir o Banco Mundial e o FMI de impor políticas comerciais aos países pobres.

Recentemente, houve um número crescente de acordos de livre comércio negociados entre países e por dentro de regiões. Por exemplo, a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), o Acordo de Livre Comércio da América Central (CAFTA) e os Acordos de Parceria Económica,entre a União Europeia e os países da África, o Caribe e o Pacífico.


Geralmente, esses acordos são entre países com níveis de desenvolvimento económico muito diferentes, e têm muito pouco a ver com a redução da pobreza. São tentativas mal disfarçadas da OMC de avançar a agenda da liberalização mais rapidamente.
Os governos, particularmente os governos dos países ricos, devem parar de procurar obter Acordos de Livre Comércio que elevem os interesses das empresas a cima das necessidades e direitos do povo e das comunidades.

Fim ao dumping de produtos agrícolas. Cada ano, os países da OCDE dão bilhões de dólares a seus agricultores. Os produtos são vendidos nos mercados dos países em desenvolvimento a preços menores dos custos de produção. Isso obriga os produtores locais a baixarem seus preços para poder concorrer, o que provoca efeitos devastadores sobre a economia dos países em desenvolvimento.

(in http://www.april2005.org/media/pt/index.html

Na verdade, a hipocrisia do mundo dos ricos, extende-se até aos limites do irracional, para que possam continuar a manter os luxos e fortunas, jogam-se os interesses do grande capital, através de organizações tidas como sérias, o caso do FMI.

Não passa tudo de um grande jogo de interesses, os grandes excedentes da indústria ocidental, precisam de mercados e para lá penetrar, o jogo de bastidores e chantagem é feito com recurso a instituições internacionais, sem olhar a meios para atingir os fins.

Aínda, que custe o empobrecimento e a vida de milhões de seres humanos!

Sunday, November 05, 2006

A origem do hino A Internacional



O poema que deu origem ao hino A Internacional foi escrito, em junho de 1871, por um lutador sobrevivente da Comuna de Paris, Eugéne Pottier. Em 1887, publicou uma colectânea dos seus poemas, entre os quais estava A Internacional. Pottier conta que compôs esta poesia em junho de 1871, pouco depois da derrota da Comuna, mas só a publicou pela primeira vez na sua colectânea.
A música, foi composta por um belga de nome Pierre Degeytter, para um coral operário da cidade de Lille, norte da França. Assim A Internacional começou a ser cantada por grupos de operários socialistas e anarquistas a partir do começo da década de 90.

Primeiras execuções:
Em 1896, no XIV Congresso do Partido Operário Francês A Internacional foi tocada e cantada pelos delegados;

Em 8 de Dezembro de 1899 foi cantada por todas as várias tendências presentes no fechamento do Congresso Operário Unitário em Paris;

Em Setembro de 1900, durante o 5º Congresso da Internacional Socialista, A Internacional foi cantada por todos os delegados presentes;

Finalmente, em 1910, no Congresso da II Internacional, em Copenhaga, foi tocada e cantada por uma orquestra e um coral de 500 pessoas. A Internacional foi consagrada como O HINO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES.

Por Vito Giannotti, abril de 2001 Fonte: "Florilége de la Chanson Revolutionaire" (1995)

Saturday, November 04, 2006

“O Sindicalismo, origens e posicionamento actual numa perspectiva de resposta a um mundo global “


Um trabalho de:

Victor M. V. Simões;

Victor Gonçalves ( Homem Antigo);

Carlos Peixoto.


Índice


1.INTRODUÇÃO
2.AS ORIGENS
3.IDEOLOGIAS CONCEITOS E ACÇÃO
4.MOVIMENTO SINDICAL PORTUGUÊS
5.CONCLUSÕES
6.BIBLIOGRAFIA



INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende ser uma reflexão sobre o movimento sindical inserido nos movimentos sociais da sociedade industrial e pós industrial.

O percurso do sindicalismo coincide com o próprio percurso da sociedade capitalista, provavelmente o sindicalismo se esvaziaria numa sociedade assente em critérios de produção justos, em que cada um recebesse o valor justo do seu trabalho e que este simultaneamente beneficiasse o homem em termos de qualidade de vida e na medida em que as sociedades desenvolvidas são excedentárias em termos de bens de consumo disponíveis.

A origem do sindicato tal como o conhecemos hoje esta intimamente ligada a revolução industrial e a divisão do trabalho como foi conceptualizado pelos detentores dos meios de produção capitalista.

Foram as dificuldades dos operários em individualmente reivindicar e conseguirem melhores salários e condições de trabalho mais dignas face ao patrão todo-poderoso que emergiu a necessidade de perante uma luta desigual os operários se unirem e fazerem das suas vozes uma só, que originaram os sindicatos, isto é, de grupos de trabalhadores do mesmo ofício, representados pelos seus eleitos.

Os sindicatos e as suas formas de luta variam de sociedade para sociedade, embora pese que nas sociedades mais industrializadas a sua importância e o seu papel na dinâmica social seja de maior relevo.

Os sindicatos não são estáticos evoluem com a evolução das sociedades, hoje o seu papel não tem o peso ideológico que teve no passado, mas a sua importância e incontornável para as sociedades democráticas, não há politica social e politica para o emprego que não tenha nas negociações governamentais o representante dos sindicatos.

O trabalho continua a ter uma centralidade vital para as pessoas, ocupam os seres humanos num terço da sua vivência diária, e para grande parte da humanidade enquanto o sol aquece, bafeja e ilumina a Terra encontram-se enredados numa actividade que lhes remunera a sua existência, e que dá sentido à sua vida na esfera social como forma de efectivar, o seu contributo para com a sociedade.

A precariedade devido ao que alguns autores já chamam da terceira revolução industrial acabou com “emprego para toda a vida” bem como cimentou a angústia em que vivem os assalariados.






2. AS ORIGENS

Já na Idade Média, surgem as corporações medievais na Itália que depois se estendem por toda a Europa tendo como principais características a oposição ao Estado Medieval, manejado pelos ricos e militares, a autonomia na elaboração dos seus estatutos e no traçar seus programas, cuja finalidade principal era a de garantir e ampliar os direitos e privilégios dos seus participantes e de controlar o mercado produtor. As corporações atravessaram toda a Idade Media e só foram extintas com a Revolução Francesa ocorrida em 1789.

É certo admitir que o sindicalismo contemporâneo tem suas raízes em todas as tentativas de vida em grupo, realizadas pelo homem em defesa dos seus interesses.

O esforço do homem em busca da sua valorização, da conquista de seus direitos e da defesa de seus interesses são elementos comuns no associativismo que possibilitaram a busca da humanização e do exercício da cidadania.

Os operários viam na máquina uma inimiga, por ser capaz de realizar o trabalho de vários operários e assim fazê-los perder o emprego. No início, quebraram máquinas ao identificá-las como responsáveis pela sua miséria: foi o movimento ludista. Depois, começaram a fazer greves exigindo melhoria nas condições de trabalho e o reconhecimento do direito de associação.

Os operários viviam nos subúrbios das grandes cidades. As moradias eram pequenas, sem as mínimas condições de habitação, higiene e salubridade. O salário não era suficiente para manter uma família. Para garantir a subsistência, mulheres e crianças de pouca idade também eram obrigadas a trabalhar Os trabalhadores uniram-se, formando as trade-unions para lutar por melhores condições de vida. Nasce, assim, a consciência de classe.

A acção foi, no princípio, violenta, pois sua intenção era destruir as fábricas, símbolos da sua desgraça, miséria e exploração a que estavam submetidos.

Somente no final do século XVIII, essas experiências no campo da defesa profissional surgem novamente, adquirindo expressão, e passam a ter o nome de sindicatos.

Entre muitos, dois acontecimentos levam o mundo dos operários a adoptar o sindicalismo: A Publicação da Lei “Lê Chapellier”, na França, em 1791, e os Actos de Combinação, na Inglaterra, entre os anos de 1799 e 1800.

A lei “Lê Chapellier” proibia a existência de qualquer tipo de organização que prejudicasse a tranquilidade colectiva do trabalho, chegando inclusive a punir com prisão os participantes de associações patronais ou de operários. Já os Actos de Combinação da Inglaterra consideravam criminosas as organizações de operários.

As necessidades do trabalhador da época não foram resolvidas e, não obstante as proibições e pressões sofridas, a consciência de que só em grupo seria possível alcançar os benefícios do progresso construído pelo próprio homem, levaram-no a procurar novas formas de associativismo. É chegado, então o momento de o sindicalismo se afirmar como referência de unidade e força capaz de unir e gerar consenso de forma a possibilitar a união e organização dos trabalhadores.

Entre os países pioneiros do sindicalismo, a Inglaterra foi a primeira nação a sistematizar este tipo de associativismo profissional, através da organização dos sindicatos de operários. Conquistaram o direito associativista em 1824. Continuam com as reivindicações da categoria, mas também com objectivos mais globais, com vistas a democratização política e à reformulação da sociedade económica.

O congresso das «trade unions» em 1834, sob a influência de Robert Owen, unificou todas as organizações numa única organização sindical de âmbito nacional surge a Grande Confederação de Trabalhadores Ingleses, denominada Sindicato Nacional Consolidado. Este conquistou imediato sucesso. Já contava com 500 mil associados. Em 1838, foi formulado o primeiro documento “ A Carta do Povo” com reivindicações políticas da classe operária, dando origem ao movimento Cartista.

Eram seis as reivindicações: sufrágio universal masculino, igualdade de direitos eleitorais, voto secreto, legislaturas anuais, abolição do censo eleitoral (baseado na propriedade) e remuneração das funções parlamentares na câmara dos comuns, lentamente essas reivindicações foram atendidas e incorporadas à legislação Inglesa (SANDRONI, 1989, p. 39). Dadas as condições existentes de organização sindical a nível nacional e a existência de classe, foi viabilizada, em 1864, a formação de uma entidade transnacional, que objectivava unificar todos os trabalhadores europeus na luta contra o capitalismo e que levou o nome de Associação Internacional de Trabalhadores, mais conhecida hoje como a Primeira internacional, o sindicalismo estende-se a toda Europa, com mais influência nos países mais industrializados, exceptuando-se a França que em razão da guerra Franco-Prussiana (1870-1871) que depois do armistício, teve a primeira experiência concreta de um governo revolucionário de tendências socialistas.

A Comuna de Paris (1871), após dois meses de existência, foi violentamente reprimida pela burguesia, tendo efectivamente retrocedido e atrasado o processo de desenvolvimento do associativismo operário e sindical.

Já o sindicalismo nos EUA, devidas às condições económicas e políticas apresentava maior dificuldade em se desenvolver. Alguns movimentos grevistas foram realizados pelos operários americanos, antes mesmo de 1750, sendo mais marcante, porém, o facto da criação, em 1805, de um fundo destinado à greve criado pelos sapateiros de Nova Iorque, em 1809.

Com esta iniciativa cresce a oposição dos patrões, que se organizam para resistir à pressão dos operários. Depois de enfrentar algumas crises, o sindicalismo norte-americano entrou numa fase de participação na política, recuperando e centrando a sua força na formação de Centrais Municipais e Sindicatos Nacionais.Com a criação da Federação Americana do Trabalho, inicia o grande momento do sindicalismo norte-americano, não só quanto as questões organizacionais, mas sobretudo pela movimentação frequente de operários em busca de melhorias salariais e outras.

O conhecido episódio de Chicago, foi o centro principal da campanha pelas oito horas de trabalho, levando o Congresso Americano a aprovar a lei de regulamentação da jornada de oito horas de trabalho, em primeiro de Maio de 1890.



3. IDEOLOGIAS CONCEITOS E ACÇÃO


O século XX foi dominado, em todo o seu transcorrer, pelas ideologias políticas. Aqueles que imaginavam que o vazio deixado pelo declínio da religião faria por diminuir ou desaparecer o fervor dos homens e das sociedades em torno das crenças viram-se surpreendidos pelos acontecimentos. Houve apenas uma troca de símbolos.

Não se lutou mais tanto pela Igreja ou pelo rei, como se fizera nas épocas anteriores, mas por uma causa, uma grande ideia nacional, patriótica ou internacionalista, capaz de mobilizar milhões de homens e mulheres, nações inteiras, levando o mundo a travar duas guerras mundiais e várias revoluções sociais de enorme repercussão. Reportaremos as mais importantes, embora todas tenham tido as suas influências e repercussões, na vida e construções sociais do nosso tempo. ( Ver em anexos Quadro 1, pág. 20).

As duas grandes ideologias que defendem a classe operária são o marxismo e o anarquismo. A primeira baseia-se nas ideias e nos textos dos filósofos alemães Marx e Engels.
Para os marxistas, o problema operário deveria ser resolvido pela via política, com a organização de trabalhadores em sindicatos e partidos. A solução seria a conquista do poder político, destruindo o Estado burguês. Como resultado dessa revolução, o capitalismo seria substituído pelo socialismo, baseado na propriedade colectiva e na ditadura do proletariado, etapa que faria a transição para a sociedade perfeita, sem classes e sem Estado – a comunista.

A segunda grande ideologia operária, o anarquismo, criado pelo revolucionário russo Bakunin, afirma que a igualdade social e económica seria alcançada quando o Estado e todas as formas de governo desaparecessem. A sociedade anarquista seria baseada na cooperação das pequenas comunidades. No final do século XIX, o anarquismo associou-se ao sindicalismo (anarco-sindicalismo), defendendo os sindicatos como os principais agentes sociais de mudança.

Os socialistas utópicos tinham consciência dos males gerados pela industrialização, mas não conseguiram elaborar meios concretos para alcançar a igualdade. Afastados da realidade, pretendiam implantar reformas sem a participação efectiva dos trabalhadores. O socialismo cristão ou catolicismo social
Preocupada com a miséria do proletariado, a Igreja Católica começou a pregar a necessidade de reformas no capitalismo para humanizar a sociedade e combater a exploração. O primeiro documento papal que destacou tais preocupações foi a encíclica Rerum Novarum (1891), de Leão XIII. Apesar das preocupações sociais, a Igreja condenava as ideologias revolucionárias.


4. O MOVIMENTO SINDICAL PORTUGUÊS

O movimento sindical português assenta as suas raízes, princípios, experiência e evolução, a partir de meados do século passado, no quadro do desenvolvimento do movimento sindical dos países ocidentais, em particular nos da Europa do Sul, acrescida a cultura e originalidades próprias da sua auto-construção e das suas lutas.

Em Portugal, o espartilho imposto pelo corporativismo durante 48 anos, remetendo a luta de classes e de massas para a clandestinidade, e a revolução libertadora do 25 de Abril de 1974, marcaram de forma distinta e profundamente, a cultura sindical e a própria evolução orgânica do movimento sindical.

O direito à greve, salário mínimo nacional, redução do horário de trabalho, generalização de direitos (como um mês de férias pagas e o 13º mês), a proibição de despedimentos sem justa causa. Com todas estas conquistas, a situação dos trabalhadores mudou radicalmente. Na realidade, o movimento sindical foi bastante importante nas conquistas sociais pós revolução.
Até finais dos anos 70 a Intersindical manteve a predominância no concerto das lutas operarias e na defesa da revolução de Abril tendo até no caso da greve da Lisnave tomado posições contrárias aos grevistas sitiados, considerando essas greves um ataque à Revolução, daqui ressaltando o seu carácter ideológico não só na conquista de melhores condições salariais mas também apontado o caminho para a sociedade considerada justa e igualitária.

A interpretação que a Intersindical deu a esse período revolucionário derivava da forte influência dos comunistas e anarquistas que encabeçavam a direcção do movimento.
A sua acção tem a sua base no interior das empresas e reflecte no tipo de apoio social traduzido nas greves e jornadas de lutas vividas tanto nas empresas como nas ruas.

Um momento relevante na história do sindicalismo português foi a divisão que se verificou no seio do mundo sindical. Isto porque, no início, existia apenas uma única central sindical, a CGTP - Intersindical Nacional. No entanto, uma "Carta Aberta aos Trabalhadores Portugueses", onde se defendia o fim de uma central sindical única, deu origem à criação da segunda central sindical do país, a UGT – União Geral de Trabalhadores.

Os partidos de centro-direita criavam a sua própria central sindical denominada U.G.T sendo a sua influência muito forte nos sectores de serviços e empresas públicas, com a criação de uma segunda central sindical ouve efectivamente o surgimento de uma crise sindical, dada a cisão verificada nos sindicatos e luta pela supremacia sindical.

Actualmente os sindicatos têm sofrido uma sangria em quantidade de membros sindicalizados e a sua acção é tendencialmente feita na defesa dos postos de trabalho e manutenção do nível salarial, muitos dos antigos sindicalistas já se reformaram, para além ainda da existência dos fantasmas do passado(reminiscências da ditadura), pois ainda há trabalhadores com receio de aderir ao sindicalismo, e com a adesão serem perseguidos e estigmatizados, por outro lado a precarização dos vínculos laborais, note-se que os trabalhadores nestas condições só recorrem ao sindicato quando em situação extrema e praticamente já com o emprego inviabilizado.

Com as diversas revisões do código de trabalho os trabalhadores estão cada vez mais vulneráveis pela indefinição e possibilidade de interpretações diversas e mais longe do equilíbrio social. Este novo código do trabalho teve forte oposição da CGTP-IN, irá fragilizar as contratações colectivas, na certeza que em termos de concertação social os patrões tudo irão fazer para que o processo se arraste até caducar.

Os novos ventos e em nome da competitividade e da produtividade impõem aos trabalhadores novas formas de precariedade reflectidas na actual lei do trabalho, novo Código Laboral.
Segundo, CERDEIRA, Maria da Conceição. in Labor relations and employment. Sociologias. [online]. July/Dec. 2004, no.12.
“Vários factores contribuíram para que o movimento sindical português tenha contabilizado um número bastante elevado de sindicalizados até à primeira metade dos anos 80. Na nossa óptica, os mais importantes foram a existência de uma legislação compulsória à quotização sindical no período corporativo, o fim da interdição à sindicalização de trabalhadores de várias actividades (administração pública central e municipal, pescadores, trabalhadores agrícolas, etc.) depois de Abril de 1974, a difusão de valores socialistas (da solidariedade, da colectividade, da igualdade) e o ambiente político favorável aos sindicatos.

A partir de então segue a tendência de evolução que regista a maior parte dos países industrializados, ou seja de decréscimo em número e densidade (Ver Quadro 2 em anexos, pág. 22).
Contudo, se o fenómeno de decréscimo é comum à maior parte dos países, Portugal situa-se entre aqueles que registaram as quebras mais elevadas.Em duas décadas (1979-84 a 1991-95) o movimento sindical português perdeu mais de 30% de filiados. Esta perda afectou de uma forma mais gravosa o sector primário (73%), as indústrias transformadoras (52%) e o sector secundário (51%). Os únicos sectores que registam acréscimos de sindicalização em valores absolutos foram os Bancos e Seguros, a Educação e a Administração Pública.” “Com efeito, a grande politização da acção sindical, a emergência de novas identidades profissionais por efeito das transformações económicas, tecnológicas e organizacionais das empresas, a reconfiguração do poder profissional no seio das empresas e da sociedade, originaram um movimento crescente de fragmentação e pluralidade da organização sindical.

Este movimento exprime-se tanto na constituição de novos sindicatos coincidentes nos âmbitos profissional e territorial com outros já existentes, como na autonomização de pequenos grupos profissionais relativamente a sindicatos sectoriais ou profissionalmente heterogéneos. No fundo, esta evolução no plano das formas organizativas, representa ao nível da base movimentos do sindicalismo independente e dos "corporativismos profissionais" que também emergiram e de que é exemplo a Confederação Portuguesa dos Quadros Técnicos e Científicos – Fensiq. Assim, o decréscimo da sindicalização evolui em paralelo com a divisão sindical, expressa na constituição de sindicatos representativos dos mesmos trabalhadores.

São fenómenos que ocorrem num cenário de estabilização política, maior internacionalização da economia portuguesa, grandes transformações tecnológicas e económicas, reestruturação, fragmentação e reprivatização das empresas públicas e de crescimento das assimetrias da repartição da riqueza criada pelas empresas.

Por conseguinte, uma importante característica da evolução do movimento sindical português é a sua crescente atomização. A dimensão média dos sindicatos é hoje bastante menor do que no passado recente (de 4500 em 1979-84 passou para 2900 em 1991-95), (ver gráfico 1 em anexos pag. 21).
“As características organizativas dos actores e as fragilidades apontadas da negociação colectiva explicam que, no caso português, haja lugar a uma fraca «regulação conjunta» (Reynaud, 1995) da planificação, preparação e implementação da reestruturação das empresas e das suas transformações tecnológicas e organizativas. Um estudo longitudinal elaborado a todos os instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho permitiu constatar que os actores institucionais não negociaram qualquer convenção colectiva formal orientada especificamente para os problemas postos pela implementação de novas tecnologias nas empresas. Os resultados desse estudo mostraram ainda que a abordagem das implicações sociais das transformações tecnológicas e organizativas nas convenções colectivas normais, basicamente, assume uma reacção defensiva e à posteriori da parte sindical”.


“Deste modo, de uma forma geral, o redimensionamento de efectivos e as saídas dos trabalhadores das empresas é negociado directamente pelos gestores com os trabalhadores directamente afectados. Mesmo no caso das empresas públicas, o papel dos sindicatos foi orientado quer para a denúncia e tentativa de impedir os processos de reestruturação (normalmente associados à divisão das empresas e redução de efectivos), quer para o controlo da aplicação da legislação em vigor (ou criada) em termos de contrapartidas financeiras.


As estratégias sindicais de defesa do emprego, sobretudo da tendência CGTP-IN, integraram, ainda, a resistência à flexibilização das normas e, sobretudo, à modificação dos sistemas de classificação profissional e matérias afins (designações profissionais, conteúdos funcionais, progressão profissional, etc.). Com efeito, sendo centrais na definição das condições de trabalho, as matérias sobre classificação profissional, são-o igualmente nos conflitos sobre reestruturações e transformações técnico-organizativas das empresas, face à a ausência de uma intervenção sindical no seu planeamento e implementação.” (Cerdeira 2001).

Segundo Luís Graça “Entre outros factores, a progressiva privatização do capital das empresas do sector público, as fusões e aquisições de empresas, a criação de novos grupos económicos, a terciarização da economia portuguesa, as mudanças operadas na composição socioprofissional da população activa empregada e o fenómeno da dessindicalização que se agravou entre 1985 e 1995, acabaram por contribuir para a decadência das Comissões de Trabalhadores, se não mesmo para a liquidação da primeira (e única) experiência de democracia industrial entre nós.” “Apesar de Portugal ter um baixo nível de conflitualidade laboral, ainda é vulgar os nossos gurus da gestão, para não falar já dos economistas neo-liberais puros e duros, fazerem dos sindicatos portugueses e das comissões de trabalhadores os “maus da fita”. E, o que é mais grave, evidenciam falta de espírito crítico em relação a práticas de gestão que sempre foram (e continuam a ser) controversas” na verdade são muito poucas as empresas que têm a Comissão de Trabalhadores devidamente funcional, o mesmo acontece com as Comissões de Segurança Higiene e Saúde no Trabalho, que apenas existem em algumas empresas e que se verifica até alguns casos de mero formalismo na tentativa de apresentar uma ideia de cumprimento legal das obrigações, estas comissões estão presentes em empresas que pela natureza da internacionalização dos seus negócios, fazem por cumprir os requisitos legais da legislação nacional em contraponto à exigência de cumprimento das Normas ISO referentes à Qualidade, Ambiente e Segurança.

As Comissões de Trabalhadores, são efectivamente importantes, nas novas formas de gestão, e na redefinição do futuro dos trabalhadores, aqui surge uma matéria à qual os sindicatos não podem ser alheios, sobretudo na formação e informação dos trabalhadores para que estes, retomem a consciencialização de classe e possam efectivamente contribuir para a luta que se adivinha.

Os Governos Europeus, só agora se começam a aperceber do problema das deslocalizações das Multinacionais e a implicação que daí advirá nas economias europeias.
Os sindicatos em geral, ainda não se estruturaram de forma a darem a resposta aos problemas actuais, resultantes de como atrás foi referido da “3ª Revolução Industrial” e do “Mundo Global”. Seria fundamental que “a renovação das práticas de gestão nas empresas portuguesas” fosse devidamente “acompanhada pela mudança de atitude por parte dos sindicatos nacionais”.

5. CONCLUSÕES

“Ao som de «Grândola Vila Morena», naquela madrugada gloriosa do 25 de Abril de 1974, os nossos capitães do MFA derrubaram o regime político fascista e puseram fim à guerra colonial. O povo veio em massa para as ruas, primeiro, celebrando a liberdade, com cravos vermelhos na mão, e, logo depois – passada a primeira fase de júbilo e a festa colectiva do 1º de Maio de 1974 –, participando activamente nas lutas sociais e na construção do futuro colectivo.” “Todavia, são também inegáveis os novos motivos de apreensão, sendo talvez o desinteresse dos cidadãos face aos problemas da vida pública um dos principais.

Por um lado, a terciarização da economia, a concentração urbana e o desaparecimento ou fragmentação crescente da comunidade local têm contribuído para o aumento do individualismo, solidão, egoísmo e artificialidade das relações sociais. Vivemos em sociedades de risco, a nível local e a nível global. Por outro lado, problemas como o desemprego, a precariedade, a pobreza e a exclusão social, reflexo da crise e desintegração de alguns dos mecanismos que asseguraram o «contrato social» (e da perda de algumas das conquistas de Abril, bem expressa no novo Código do Trabalho), contribuem cada vez mais para aumentar a imprevisibilidade, a sensação de insegurança e a desconfiança nas instituições.

A era de individualismo e de «pós-contratualismo» que hoje atravessamos está a produzir novas gerações de indivíduos frágeis, despojados e inseguros, que encenam quotidianamente um jogo de máscaras para esconder dos outros essas mesmas fragilidades e sentimentos de isolamento. Passamos por uma fase de pessimismo que se reverte em evasão individual, alienação deliberada, além das patologias do foro pessoal e familiar.

Vivemos um processo que, se não for rapidamente travado, coloca em risco não só a possibilidade da vida colectiva e o princípio da comunidade como os próprios pilares do regime democrático.
Relembrar o 25 de Abril nos seus 30 anos de vida é remeter alguns dos graves problemas da actualidade para o espírito de comunhão colectiva que as gerações dos anos 70 tiveram a felicidade de viver. O torpor fatalista que tem marcado os sentimentos colectivos do nosso país nos últimos tempos só pode ser revertido se voltarmos a acreditar mais em nós próprios e no nosso semelhante. Recuperar a esperança e reactivar o espírito de solidariedade e participação cívica que Abril permitiu, é a melhor forma de celebrar a Revolução dos Cravos e enfrentar os desafios do presente.” (Prof. Dr.Elísio Estanque, CES Centro de Estudos Sociais - Publicado nos jornais «Diário de Coimbra» e «A Cabra», no dia 20/04/2004).

Travões ao progresso do país são enxertos do Estado Novo que enquistam governos mais ou menos à direita, produzindo dramas sociais, onde, como é público, muitos portugueses passam fome. Recuos sociais continuados atiram com o país para a cauda da civilização ocidental. Trinta anos passados continua por cumprir o progresso à escala nacional e o proveito universal da mudança. Multiplicam-se os encerramentos de empresas, e a cumplicidade dos governos que descaradamente se calam perante o abuso do patronato, nos encerramentos fraudulentos,infames e altamente lesivos dos que nelas trabalham e da economia nacional.


Foi tarefa e função do sindicalismo, unificar as lutas, fazer sair os trabalhadores da sua miséria e angustia e permitir-lhes conquistar e fazer reconhecer a sua condição de cidadãos e direitos a ela inerentes na sociedade capitalista. Defender os operários contra a exploração cada vez maior do grande Capital.

Hoje, o grande capital transforma-se cada vez mais em poder monopolista de bancos, de trustes industriais, e assim se reforça, daqui resulta que esta função primária do sindicalismo desapareceu. O Poder dos sindicatos tornou-se insignificante em relação ao poder dos grandes lobbies, das multinacionais em suma do grande capital. Os sindicatos são hoje organizações gigantes, cujo lugar é reconhecido pela sociedade. A sua posição está regulamentada pela lei; os acordos que façam têm força legal. Os dirigentes sindicais que hoje se enquadram na classe média alta aspiram fazer parte do poder que determina as condições de trabalho, assim como a outros vôos políticos, esta ambição está patente na questão da própria democracia interna dentro destes mesmos sindicatos. Formam um aparelho, graças ao qual o capitalismo monopolista impõe as suas condições à classe operária.

Para o Capital, é mais vantajoso disfarçar a sua hegemonia sob formas Democráticas e Constitucionais, que mostrá-la sob a forma de ditadura. As condições de trabalho que parecem convir aos operários serão respeitadas mais facilmente sob a forma de acordos concluídos com os sindicatos, do que de outra forma de imposição. Para já, porque deixa aos operários a ilusão de serem senhores dos seus próprios interesses; depois, porque tudo o que liga os operários aos sindicatos (os organismos que eles próprios criaram, pelos quais fizeram tantos sacrifícios, travaram tantas lutas, dispensaram tanto entusiasmo), quer dizer, tudo o que torna os sindicatos queridos ao seu coração, é justamente o que torna os trabalhadores débeis e sob o controlo do grande capital.

Assim, nas condições actuais mais que nunca, os sindicatos se transformam em órgãos de mediação entre o Estado, Patronato e os Trabalhadores, sendo que muitas vezes os interesses defendidos não são os dos trabalhadores mas sim os interesses das grandes Corporações Multinacionais, do capitalismo monopolista sobre a classe operária e o dos próprios dirigentes sindicais.

Só com uma reformulação completa do Sindicalismo e uma despartidarização dos mesmos, estes poderão partir para as novas realidades da economia e do trabalho, na defesa dos reais interesses de todos os trabalhadores e reconquistarem a força e o peso dos tempos áureos, aumentando o número de sindicalizados, por via da confiança que possam transmitir, e assumindo definitivamente o papel que lhes cabe na sociedade e no equilíbrio das forças antagónicas, ou seja, entre o capital patronato e os trabalhadores.

Por outro lado só uma verdadeira união de todos os trabalhadores, e a consciencialização da sua força, poderão reverter a actual situação e evitar o descalabro que se seguirá de falências, deslocalizações de empresas e consequente desemprego. Actualmente no mundo global o capitalismo é apátrida, não olha a meios para atingir os fins, ou seja o lucro e mais lucro, independentemente dos custos sociais. «Os governantes são comissários políticos», disse Saramago e com toda a razão, pois o poder económico é quem comanda a política, definindo o lugar onde devem estar as empresas que sustentam o emprego, estabelece o valor salarial e assim comanda o poder de compra e todas as capacidades sociais dependentes do orçamento do Estado.

Tudo fica balizado por monopólios privados que dos seus obscuros tronos governam de facto a sociedade, sem precisarem do voto. Estamos num período em que as grandes multinacionais chantagiam os governos quando existe a veleidade do Governo mexer com os interesses do Capital, a arma é sempre a mesma acenam com o fantasma do desemprego, existem exemplos concretos até a nível nacional e de Grupos Portugueses. A isto só a consciencialização das massas, poderá fazer frente, dizendo não aos produtos produzidos por essas mesmas multinacionais em países de mão-de-obra barata, onde os direitos humanos não são respeitados e onde se faz tábua rasa de todos os critérios de Qualidade, Ambiente e Segurança.

Produtos, que nos são oferecidos através da exploração de outros seres humanos, com sangue suor e lágrimas e com uma mais valia incorporada, que beneficiará sempre os mesmos, dado que os preços manter-se-ão, com lucros multiplicados.
O Sindicalismo tem essa obrigação de informar, de demonstrar o caminho e só com uma renovação interior poderá fazê-lo, numa união com as Organizações não Governamentais, e com as massas trabalhadoras.

Agora o que está em jogo não são os aumentos para o mês que vem - mas saber se ainda teremos um emprego daqui a cinco anos.
O voto em branco, segundo o Ensaio sobre a Lucidez que Saramago revela no seu livro, como reflexão e protesto à democracia fingida que conduz Portugal e o mundo, é um grito para o interior da colectiva apatia.



Bibliografia

Giddens, Anthony; Sociologia; José Manuel Sobral, Editora Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa: 4ªed. 2004

Georges Ribeill; Tensões e Transformações Sociais; Maria Teresa A.Meneses, Editora Livraria Bertrand, Lisboa: 1976.

Demartis Lúcia; Compêndio de Sociologia; Artur Mourão, Editora 70, Lisboa: 1999

Aron Raymond; Etapas do Pensamento Sociológico; Miguel Serras Pereira; Editora D.Quixote, Lisboa: 7ª ed. 2004.

Bellamy Richard Liberalismo e sociedade moderna.Editora Unesp. São Paulo: 1994.

Vicent, Andrew. Ideologias Políticas Modernas.Editora Zahar, Rio de Janeiro: 1995.

CHÂTELET, F-Pisier-Kouchner, E. As concepções políticas do século XX. Editora Zahar, Rio de Janeiro:1983.

Pesquisa temática na Internet efectuada em:

http://www.marxists.org/portugues/pannekoe/lutaoper/cap1.htm
Francisco Trindade
DR.Luís Graça
http://www.scielo.br/scielo.php
www.ine.pt
weblog da graodarea-attac
http://www.deep.msst.gov.pt/
resistir.info/europa/asbjorn.html
Ilha do Mel


Monday, October 16, 2006

Portugal:Pessimismo e Pedofilia

São dois os principais problemas de Portugal: os poucos pessimistas profissionais, que passam a vida a contaminar o resto da população, e uma governação inadequada, ineficiente, ineficaz e fora de contacto com a realidade no país. Que Portugal e os portugueses têm inegáveis qualidades, não hajam dúvidas. Não é por nada que Portugal é um país independente e a Catalunha, a Bretanha, a Escócia e a Bavária o não são. Não é por nada que o português é a sétima língua mais falada no mundo, à frente do alemão, do francês e do italiano. No entanto, estas qualidades precisam de ser cultivadas por quem foi eleito para liderar e dirigir o país.
O que acontece é que nem agora, nem por muito tempo, Portugal tem tido líderes dignos do seu povo, capazes de liderar a nação, realizar os projectos que foram escolhidos para realizar. O resultado é uma onda de pessimismo, no meio dum mar de desemprego, desinteresse e desorientação que serve de combustível para a economia emocional não funcionar, aquela economia que é tão importante quanto a economia das quotas de oferta e procura.

A consequência é uma retracção não só da economia mas também do psique da sociedade, com uma introversão patológica a manifestar-se no escrutínio colectivo do umbigo nacional, ou um pouco mais abaixo. A não-história da pedofilia, já uma psicose nacional, é um belíssimo exemplo de até onde pode chegar uma sociedade quando nem é orientada nem estimulada a pensar em horizontes mais saudáveis.

Há mais que um ano, a imprensa portuguesa regurgita a história do abuso sexual de meninos do orfanato/escola Casa Pia, apontando nomes sonantes da vida pública que nem têm lugar aqui, visto que até ser provado ao contrário, uma pessoa numa sociedade civilizada, é considerado inocente.
Na busca de quem foi ou quem não foi, deu origem ao levantamento na praça pública duma lista substancial de nomes do mundo artístico, desportivo, e político, aos mais altos níveis. Não é a causa do pessimismo em Portugal, mas espelho dele. A noção que "nós não prestamos, somos os coitadinhos da Europa e a alta sociedade é podre" se ouvia nos finais dos anos 70, desapareceu e com a não governação do primeiro-ministro José Barroso, voltou.

Está tangível, quanto mais para um estrangeiro que ama e estuda este país há 25 anos. Outra manifestação deste pessimismo é a negatividade ao nível das conversas nos cafés (inaudíveis nos claustros de cristal onde pairam os governantes do país) acerca dum evento que a priori é a melhor hipótese que Portugal alguma vez tem tido para se projectar na comunidade internacional? O Euro 2004. O Euro 2004 é o ponto desportivo mais alto na história quase milenar de Portugal.
É um dos três mais vistos eventos televisivos no mundo e é uma excelente oportunidade de enterrar de vez a falácia que Portugal é uma província espanhola.
Mas o que é que acontece? Enquanto o resto da Europa se prepara com entusiasmo para o Campeonato da Europa em Futebol, se ouve em Portugal por todo o lado que os estádios não estão preparados, ou que não são seguros, ou que os aeroportos não estão adequados ou que vai haver problemas com hooliganismo ou com terrorismo. Disparate! Ou pior, uma vergonha, por quem perpetua este tipo de lixo que se chame notícias por aí.
Para começar, os estádios estão tão prontos que já se joga futebol neles.
Segundo, as normas de segurança têm de obedecer a rigorosíssimas normas de controlo estipuladas pela inflexível UEFA.
Terceiro: os aeroportos têm dos sistemas mais avançadas de controlo de tráfico aéreo, total e completamente integrados nos da União Europeia e mais, os adeptos não vão todos chegar no mesmo dia, nem todos de avião. Quarto: quando os bilhetes foram vendidos na Internet, foi consultada a base de dados proferida pelas forças policiais dos países presentes no Euro 2004. Quinto: Portugal é alguma vez um alvo para ataques terroristas, desde quando? Só se fossem as FP-25 de Abril.

Porém, onde estão as autoridades a explicarem a verdade, a estimular a população, a instilar o optimismo, não só para o Euro 2004 mas para galvanizar a economia, a liderar o país? Exactamente onde estiveram, estes ou outros, quando os interesses dos portugueses estavam a ser vendidos por um preço barato, o que levou gradualmente à situação actual em que uma família portuguesa gasta substancialmente mais do seu ordenado em necessidades básicas do que no resto da Europa. Não se admite que num supermercado espanhol, se encontram exactamente os mesmos produtos bem mais baratos do que em Portugal, não se admite que no Reino Unido o cesto básico de alimentos custa bastante menos, quando se ganha cinco, seis ou sete vezes mais. Há duas semanas, vi três restaurantes no centro de Londres com o cartaz "Comam o que quiserem por £5.45 - 9 Euros, ou um pouco menos. Os portugueses gastam uma fatia tão grande do seu ordenado em mantimentos fundamentais que não há capital disponível para os serviços, restringindo a economia a um modelo básico e muito primário. Se bem que Portugal é um país pequeno, também é a Bélgica, a Dinamarca, os Países Baixos, o Luxemburgo, a Suíça, a Irlanda. Estes países têm um plano de médio e longo prazo e nestes países ganham os lugares de destaque pessoas competentes e devidamente qualificadas e formadas.

Em Portugal, o plano é ganhar as próximas eleições, ponto final. O que acontece depois? Há uma onda laranja ou cor-de-rosa a varrer o país e ocupar todos os quadros altos e médios, seja em ministérios, em faculdades, em firmas, até em hospitais. O grande plano é, quanto muito, de quatro anos, o que explica a pequenez de pensamento e a falta de visão personalizada por uma ministra das finanças que trata a economia do país como se fosse uma dona de casa maníaca, que, munida com uma tesoura gigante, tenta transformar um lençol de cama de casal numa bata para uma boneca diminuta? Corta, corta, corta. O resultado disso tudo é o que se vê: desempregados à espera de emprego durante largos meses, não semanas, sem receberem um tostão do governo que elegeram para os proteger. Quão conveniente por isso que o país fale de pedófilos e não da economia, do emprego, da falta de poder de liderança deste "governo" PSD/PP, da ausência duma cariz democrático, ou social, ou popular, da ausência do contacto ou calor humano destes, que foram eleitos para proteger seus cidadãos.
O que fizeram? Absolutamente nada.
Lamentaram que o país era um caos, e calaram-se. Então, onde estão as políticas de salvação? Portugal está, e por muito tempo tem sido, liderado por uma argamassa de cinzentos incompetentes que venderam os interesses do país irresponsável e negligentemente para fora. Portugal precisa de quem tenha o brio e a chama suficiente para incendiar a paixão do povo deste país lindo, desta pérola do Atlântico, de ajudá-lo a ir ao encontro dos seus sonhos, acreditar em si, redescobrir as suas consideráveis qualidades e colocar Portugal num lugar de destaque entre a comunidade internacional.

O leitor pode apontar quem tenha feito isso nos últimos anos? O José Barroso está a fazê-lo? Caso contrário, se não descobrir, e rapidamente, quem for competente para governar este país, os projectos audazes e brilhantes, que vão de mãos dadas com o espírito e a alma portuguesa, como por exemplo a EXPO 98 e a EURO 2004, ambos com uma gestão excelente e uma preparação de que poucos países se poderiam gabar, perder-se-ão no mar de lamúria que assola Portugal. Francamente, a paciência dos que tanto lutaram para fazer qualquer coisa deste rectângulo atlântico, começa a esgotar-se.
Já que gostam de dizer que quem não está bem deve mudar-se, começa a ser uma excelente ideia.
Timothy BANCROFT-HINCHEY Director e Chefe de Redacção PRAVDA.Ru Versão portuguesa
Texto recebido por e-mail
Continuará ou não actual?
Obrigado a quem o enviou,pessoa devidamente identificada!