Thursday, February 15, 2007

QUE POVO É ESTE?

Recebi por e-mail este texto de opinião que achei oportuno divulgar, dentro do âmbito de solidariedade com o povo Guineense.

A opinião de Djodji08.02.07

Olhando para a história política e criminal do meu país, Guiné-Bissau, não posso deixar de continuar a estranhar o comportamento ora heróico e ora passivo do meu povo!Este texto não pretende trazer nada de novo aos guineenses, mas apenas perguntar directamente aos guineenses – porquê? Porque permitimos que tudo aconteça na Guiné-Bissau, sem que o dono e senhor da terra, o povo, nada faça para mudar o rumo do seu destino?O meu povo saiu à rua para aplaudir os nossos libertadores do jugo colonial, vindos da então intitulada zonas libertadas. Esse mesmo povo saiu à rua para aplaudir um general de boca espumada, que nos viria libertar do domínio cabo-verdiano que se viveu logo após a independência e que ceifou a vida a muitos guineenses que haviam participado do outro lado da barricada na luta da libertação do jugo colonial português.Anestesiado com a valentia do General espumoso, o povo ficou imediatamente amnésico!!! Esquecemos que o próprio General era um dos principais representantes do regime contra qual havia acabado de revoltar-se e, portanto, era muito difícil e até impossível, que esse cínico herói que se apresentava como salvador da pátria não tivesse tido conhecimento das execuções de irmãos guineenses, que ele nomeou um a um, entre as bolhas de espuma no canto da boca.Como era possível, o seu imediato superior hierárquico, o Presidente da República, tivesse tido conhecimento desses actos bárbaros, como ele fez querer ao povo, sem que a informação tivesse passado pelas mãos dele, que coordenava os comissários? Mas, na altura, o povo guineense engoliu essa estória, aplaudiu e apoiou o “general-espumoso”, sem no entanto ter tido qualquer ganho (muito pelo contrário!!!), com a mudança de regime.O nosso “general-espumoso”, mal se apanhou no poder absoluto disse que não matou ninguém, nem era contra ninguém e, ainda, anunciou a “concórdia nacional”. Desses anúncios ao engordar as suas contas bancárias, coleccionar amantes e enriquecer alguns amigos, foi uma questão de menos de meia-dúzia de anos. Segundo consta, alguns desses amigos trocavam esse estatuto de privilegiado com cedências periódicas dos seus leitos matrimoniais ao “general-espumoso”, porque contrariar esse desejo do general podia significar desgraça pessoal com acusação no envolvimento de alguma trama contra o todo o poderoso e eventual morte. Alguns até terão dado o próprio apelido aos filhos do general espumoso.O povo assistiu impávido e sereno esses abusos do poder e os ditos “amigos” oportunistas, que terão chegado ao ponto de “alugarem” os seus leitos matrimoniais, não devem ter ouvido nunca pronunciar o nome de Ernesto Che Guevarra, que disse uma vez que “mais vale morrer de pé, que viver de joelhos”. Preferiram viver de joelhos, para hoje tentarem fazer a diferenciação de “gentes no sistema, com gentes do sistema”!!!Essa gentinha aceitou viver de joelhos, comendo as migalhas do general-espumoso”, enquanto o povo já se encontrava deitado e prostrado, comendo as migalhas desses oportunistas. Nessa altura, o general já havia deixado de ser espumoso e até contratara um professor de português para lhe dar aulas particulares e já partilhava os seus instintos hormonais com algumas “senhoras” da sociedade Bissau-guineense e até conhecia uns empresários portugueses que também lhe davam algumas aulas sobre o tratamento especial das finanças públicas.Também foi nessa altura que conheceu outros ditadores com os quais foi aprendendo as tácticas para a eternização no poder. Nessa luta para a manutenção no poder, eliminou e mandou eliminar fisicamente muitos dos guineenses que haviam apostado nele naquele fatídico dia de 14 de Novembro, data essa que hoje, até o próprio general-ditador tem vergonha de comemorar.Dos nomes dos assassinados no regime de Luís Cabral, o regime do general sanguinário conseguiu ultrapassar, de longe.A tudo isso, o meu povo assistiu sem reagir de forma convincente e com repulsa desses actos e seus actores, até que apareceu um Brigadeiro acusado de tráfico de armas, que viveu quase duas décadas à custa do regime, que resolveu salvar a sua própria pele e mobilizou muitos militares para a sua causa. O general pediu ajuda aos amigos ditadores, sem pedir consentimento ao povo, que ele julgava prostrado e sem reacção, mas esqueceu-se que estar prostrado não é o mesmo que estar caquético e agonizante.O povo acreditou mais uma vez numa mão salvadora e levantou-se e foi buscar forças onde já não havia, para correr com o ditador sanguinário. Só que o povo esqueceu-se das verdadeiras razões do brigadeiro e dos abutres intelectualóides que estavam por trás das estratégias do Brigadeiro. A “vassourada” não foi completa, nem eficaz!!! Aí que aparece de Bissorã, um intelectualóide que havia tentado concluir um curso de direito numa faculdade pública portuguesa e fracassou e tinha-se dedicado ao comércio, que era pouco para as suas aspirações megalómanas.Esse mesmo intelectualóide foi o mentor e principal responsável pela saída do general sanguinário para o exílio, sem qualquer responsabilização pelos seus actos no passado. O mesmo intelectualóide não tardou a ser nomeado como primeiro-ministro de transição. Da transição até os guineenses “enfiarem um barrete vermelho”, foi pouco tempo. E, o povo estava convicto que o intelectual louco e populista era a solução que a pátria mais ansiava. Mas, continuou a assistir impávido e sereno, acusações públicas de corrupção, prisões sem acusações oficiais, perseguições de órgãos de comunicação social, tentativa de etnização do poder, etc.Desesperado e bem acomodado no poder, o louco intelectual declarou ao próprio povo que lhe havia colocado no poder, como incapaz de escolher por escrutínio livre os seus próprios representantes no aparelho do Estado.Estranhamente, começaram a acontecer alguns encontros em Portugal, inclusive com almoços, entre o louco intelectual e o general-sanguinário. Pouco tempo antes, o governo português havia assumido desconhecer o paradeiro do general-sanguinário, que vivia as expensas do contribuinte português, tendo sido apenas admoestado, após o regresso à sua residência.Estranhamente, no período de tempo em que o general-sanguinário esteve ausente de Portugal e sem paradeiro certo, houve deslocações de alguns militares guineenses para tratamento e férias no Senegal e na Guiné-Conakri, entre os quais Tagmé na Waie. Não é que nesse período de tempo, houve desentendimento entre o Brigadeiro e o louco intelectual, que levou à perseguição e a morte em circunstâncias estranhas do primeiro.Após a morte do brigadeiro, não tardou a aparecer o General Veríssimo Correia Seabra que derrubou o regime eleito democraticamente e que agia de forma ditatorial. O mesmo General afirmara publicamente, que o general-sanguinário só regressaria à Guiné-Bissau de forma livre e impune, por cima do seu cadáver. É caso para dizer, foi ele quem pediu!!! Da sua morte, até a invasão do espaço aéreo guineense por um aparelho militar de outro Estado, também comandado por um professor do general sanguinário na arte da ditadura e do absolutismo, foi pouco tempo.Eis que o meu povo mergulhou outra vez na amnésia e aplaudiu a chegada de um mercenário, movido pela sede do poder e de vingança. O meu povo mais uma vez esqueceu todo o sofrimento impingido pelo general sanguinário e aplaudiu, aquele que foi, é e esperemos que não continue a ser por muito tempo, a razão da desgraça do Estado guineense.Dessa amnésia e desse apoio a um acto ilegal e de vandalismo, até sermos hoje presididos pelo maior criminoso da história da Guiné-Bissau, apenas foi preciso que aqueles “amigos” que no passado alugavam os seus leitos matrimoniais em nome de um estatuto trabalhassem um pouco mais…Desde o regresso do ditador sanguinário, temos um país “de pernas para o ar”, com uma Assembleia Nacional Popular que mal funciona e com deputados que mal conhecem a letra “A”, facilmente corrompidos, de costas viradas com o Presidente da mesma Assembleia e este, juntamente com o maior sindicato nacional, de costas voltadas com o governo e a Presidência.Governo esse, não escolhido pelo povo, através do sufrágio, arrogante e prepotente, defendido até à exaustão pelo ditador sanguinário, desde que execute ou tente executar na perfeição as vontades do todo-poderoso. Esse mesmo governo nega-se a dialogar com outros representantes do Estado, desde que estes não acartem as suas directrizes de forma silenciosa. Ainda assistimos à violação dos direitos mais básicos do homem e de um Estado de direito, como ameaças, intimidações, espancamentos e assassinatos de figuras públicas. Como é possível, o presidente do maior partido guineense ter medo de voltar a casa?Vão dizer-me que o medo é individual e que ninguém tem culpa dos medos dele.E, aí pergunto, se não é para se ter medo, quando um governo, de forma ilegal assina um mandado de captura e envia uma brigada de intervenção para a detenção de um político, munido de imunidade parlamentar? A verdade é que as investigações sobre a morte do Comodoro Lamine Sanhá e da agressão do Dr. Silvestre Alves interessam pouco ao governo e ao Ministério Público Guineense.Desde que aconteceram esses actos bárbaros e cobardes, ainda não foi conhecido qualquer suspeito e nem tão pouco foi convocado aquele que, ainda em vida, o Comodoro acusou de o perseguir e ameaçar. Para quando a audiência do General Tagmé na Waie, sobre a morte do Comodoro? O meu povo vai continuar a fechar os olhos e a divertir-se com o caso de disputa de bens roubados, entre Nino e Cadogo?O que me estranha é que o povo continua a assistir impávido e sereno e quiçá prostrado!!! Continuo a achar que nós guineenses somos responsáveis pelo actual estado da nossa pátria e pouco ou nada fazemos para a sua mudança.Cabral e muitos outros deram a vida, acreditando dar-nos uma vida melhor e nós, pouco ou nada estamos a fazer para melhorar o futuro daqueles que virão.

13 comments:

Literófilo said...

ACÁ ME EXCUSO DE MI POBRE PORTUGUÉS PERO SE AGRADECE SOBRE MANERA QUE HAYA PASADO, ESTOY SEGURO QUE LO ALLÍ ESCRITO ES ALGO SABROSO, EN FIN UN ABRAZO Y LO ESPERO SEGUIR VIENDO, HASTA PRONTO, O EL LUNES QUE PUBLICO EL 4 CAPITULO, ABRAZOS

Deepak Gopi said...

:) good day

Josie said...

Well, I wish I could read Portugese. The picture looks interesting. Is it Guinea-Bissau?

Josie

victor simoes said...

Josie, thanks for its visit in the "Voz do Povo" Voice of the People. The Photograph is of the Guiné-Bissau, the author Ernst Schade.
It always comes back

carmo said...

sabe uma coisa mario?infelismente isto nao acontece so na guine e bom de ver o que aconteceu em angola.mas os nossos politicos compactuam com todas essas desgraças a troco de benesses para uso proprio,enfim somos o pais da corrupçao.um ate sempre.

Eratóstenes Horamarcada said...

Cumprimentos de México.

chato said...

hola david gracias por tu visita, aca en mexico no nos quedamos atras en esas cuestiones. pero en fin a ver si con felipe cambian las cosas por aca. jaja todavia creo en los reyes magos, saludos tocayo.

Bettina Perroni said...

La bendita politica... solo me limito a decir que soy solidaria con los pueblos, con la gente y apoyo los sistemas que piensan en ellos.

Un abrazo a esa hermana patria.

Besitos,

Mari* said...

a?
What?
nani??

q quisiste decir con eso?
O.o
nos conocemos ^^U ??

sorry =P

xtco said...

entiendo algo el portugués...me he pasado varias veces, en otras ocasiones pero... hoy un texto tan largo me supone perderme muchas veces, lo siento,

gracia por la visita

saludos (obrigado... creo que se dice asi...)

un abrazo

jessica_luna_púrpura said...

hola, devolviendo la visita
que lastima, lo mas que me acerco al portugues es por los tribalistas y velha infanca
ni siquiera se si lo escribi bien
bueno, besos

Patricia 333 said...

Vengo a dejarte un besote!!!

Muchas gracias por no olvidarte de mi ....

Te dejo mi cariño

Anonymous said...

Pues no son los únicos que gozan de tener politicos que se sirven en vez de servir, mi portugués es muy escaso, pero habiendo politica, generales y corrupcion ya me suena conocido,

Saludos,