
Estimados leitores, este meu texto é um grito de revolta, não é ficção, não é sobre o que se consta, é real e passa-se comigo!
Poderei começar por esclarecer, que o meu tormento começou quando tinha dezasseis anos, queixava-me de insuportáveis dores abdominais, a minha saga tinha inicio, com as consultas nos centros de saúde estatais, e como nada me resolvia o problema algumas consultas na medicina privada, para conhecer outras opiniões.
Suspeitaram que teria a doença de Crhon, e as portas do inferno de quem tem de andar de médico em médico, e com o atendimento que se conhece, e a que se tem de sujeitar quem não tem recursos, nem possibilidades de escolha de serviços mais competentes e diligentes! Depois da entrada no inferno (o inferno é isto… o nosso sistema de saúde pública, que agora com as privatizações previstas ainda piora dado que são geridos segundo a lógica empresarial de lucro!) exames, mais exames, de médico em médico e por fim a conclusão a suspeita é infundada!
As opiniões médicas nunca encontraram um consenso, divergem entre si, intestino com o dobro do comprimento ( e o conselho - “ terá de se habituar à ideia de viver com o seu problema”). Entretanto o perímetro abdominal aumenta consideravelmente, e começo a apresentar outros sintomas para além das dores abdominais, corrimento excessivo e infecções vaginais constantes (devo dizer, que não tem nada a ver com relações sexuais, porque não as tenho) acompanhadas de dores internas insuportáveis e que me levam a recorrer às urgências hospitalares, acabam por medicar sem saberem o que tenho e mandam-me para casa até nova crise… em termos de médicos surge mais uma suspeita de doença de DIP, perante tal suspeita apresentada por um médico dos serviços privados, a minha médica de família encaminhou-me de urgência para os serviços de ginecologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Santos Silva, fiquei paciente das Drªs Sandra Baptista e Isabel ( não me lembro do sobrenome), sou sujeita a nova bateria de testes e exames médicos e sabem qual a conclusão? Até agora nenhuma! Já ando em bolandas entre médicos, hospitais e centros de saúde à sete anos, tenho actualmente 23 anos e ainda não sei o que tenho, nem sei quando verei o meu problema resolvido!
Em Junho deste ano de 2006, tinha uma consulta marcada, dado que tinha feito mais uns exames médicos, não sei o que aconteceu, mas no hospital extraviaram os exames, (aqui entra a competência e responsabilidade de quem lá trabalha e é responsável pelos referidos exames, ) na referida consulta e dado que nenhuma das doutoras de quem sou paciente se encontrava, fui canalizada para uma médica que fazia serviço à urgência ( já nem sei o nome dela, tal o mal estar que semelhante pessoa me causou, parecia que estava na profissão errada e que apenas está ali como mercenária ou porque não consegue melhor colocação, nós os doentes somos uns tolinhos, que só incomodamos – revoltante, e indigno da ostentação do título de doutora), que me disse ( sem ver os exames, os mesmos tinham sido extraviados ), que por ela me daria alta, dado que o meu problema era intestinos e não sabia o que eu andava lá a fazer a dar-lhes trabalho (alguém gosta de ir ao médico, perder tempo de um lado para o outro, ser tratado sem humanidade, só para lhes dar trabalho? Tenho pena de não me lembrar do nome da senhora doutora, pois agora que já estou bem elucidada, pedia o livro de reclamações, e apresentava queixa na Ordem dos Médicos, a incompetência é intolerável em serviços públicos, tratamento desumano e malcriado ainda pior, talvez ainda me venha a recordar do nome) depois de me receitar uns placebos quaisqueres, marcou-me nova consulta para Janeiro de 2007, julgo eu para continuar a ser vista pelas médicas de quem sou paciente.
Voltei à clínica privada e disseram-me que tenho um abcesso no útero e que tenho de ser operada com urgência! Eu pergunto onde, como e quando? Não tenho disponibilidade financeira, nem os meus pais para eu ser operada em clínica privada, e pelo hospital terei ainda concerteza de me submeter à repetição dos exames médicos anteriores e veremos, se o diagnóstico de abcesso, já está correcto!
Como disse tenho 23 anos, e a minha vida muito complicada, pelo problema de saúde que me afecta e que parece ninguém me ajuda a resolver!
É este o estado da saúde em Portugal… podem crer não tem nada a ver com o que oiço apregoar por quem de direito… e há muitos casos, muitos mesmo, em que se morre em Portugal, quer por negligência, quer por falta de cuidados médicos atempados… os casos de chamarem pessoas para serem operadas depois das mesmas falecerem é uma vergonha, para um país que se pretende de primeira linha e de uma Europa!